POSIÇÃO FIRME

“Não votaria em JHC. Não queria e não quero estar na chapa”: Jurandir Bóia anuncia renúncia e rompe composição de Marina Cândia

Médico diz que vai deixar segunda suplência ao Senado, afirma que entrou na chapa por insistência de Ronaldo Lessa e declara: “Não devo nada a ninguém. Vou respeitar a decisão do partido”

Por Redação Publicado em 25/09/2026 às 22:02
“Não devo nada a ninguém. Vou respeitar a decisão do partido”, disse Jurandir Boia, de 84 anos, ex-líder estudantil na década de 60

A jornalista Bleine Oliveira, do BNews Alagoas, revelou nesta sexta-feira (25) um novo capítulo da crise envolvendo o PDT e a chapa majoritária liderada pelo PSDB em Alagoas: o médico Jurandir Bóia, inscrito como segundo suplente de Marina Cândia na disputa pelo Senado, decidiu renunciar à candidatura.

E Bóia não deixou dúvidas sobre sua posição.

“Não conheço JHC, mas não votaria nele. Não queria e não quero estar na chapa.”

A declaração é uma das mais fortes já feitas publicamente por um integrante da própria composição eleitoral encabeçada por Marina Cândia e ligada politicamente ao candidato ao Governo de Alagoas João Henrique Caldas, o JHC.

Presidente de honra do PDT alagoano, Jurandir Bóia informou que comunicou sua decisão ao presidente estadual da legenda, o vice-governador Ronaldo Lessa.

“Tomei uma decisão em respeito a meu partido. Vou renunciar.”

Segundo relatou Bóia à jornalista Bleine Oliveira, Ronaldo Lessa recebeu a notícia com resistência. O médico afirmou que Lessa ficou “indócil” diante de sua decisão de abandonar a chapa.

“Não devo nada a ninguém”


Jurandir Bóia também revelou que nunca teve interesse em disputar a eleição na condição de suplente e que aceitou colocar seu nome à disposição por insistência de Ronaldo Lessa, a quem definiu como “um amigo da juventude”.

Agora, diante da posição da direção estadual do PDT de se afastar do grupo político liderado pelo PSDB, o médico afirma que seguirá a orientação partidária.

E resumiu sua decisão em outra frase contundente:

“Não devo nada a ninguém. Vou respeitar a decisão do partido.”

Bóia havia sido indicado para ocupar a segunda suplência de Marina Cândia depois da renúncia do próprio Ronaldo Lessa. A substituição foi formalizada em setembro, mantendo Dra. Eudócia Caldas na primeira suplência e colocando o médico na segunda.

Lessa havia formalizado sua saída da segunda suplência anteriormente. Em documento encaminhado à Justiça Eleitoral, justificou a renúncia por um “remanejamento da chapa majoritária”.

Posteriormente, Lessa declarou ao Metrópoles que havia expectativa de assumir a primeira suplência de Marina Cândia, hoje ocupada por Eudócia Caldas, mas que a alteração não ocorreu. Segundo o vice-governador, JHC alegou insegurança jurídica para não efetivar a troca.

PDT decide se afastar do grupo de JHC


De acordo com a reportagem de Bleine Oliveira, uma nova reunião da Executiva Estadual do PDT reafirmou a decisão do partido de não permanecer politicamente alinhado ao PSDB e às demais legendas do grupo de JHC.

É nesse contexto que Jurandir Bóia afirma ter decidido deixar a chapa.

Para o médico, permanecer na composição também entraria em choque com sua própria trajetória política.

Bóia, hoje com 84 anos, é um histórico militante de esquerda. Participou da resistência à ditadura militar e, ainda estudante de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, sofreu os efeitos da repressão instaurada após o golpe de 1964.

Na entrevista, ele relacionou essa história pessoal à decisão de não permanecer numa aliança que reúne forças políticas de direita.
“Não conheço JHC, mas não votaria nele.”

E acrescentou:

“Não queria e não quero estar na chapa.”

De Lessa a Bóia: crise atravessa composição


A saída anunciada de Jurandir Bóia acrescenta mais um episódio à turbulenta relação entre o PDT e a composição eleitoral do PSDB.

Inicialmente, Ronaldo Lessa apareceu como candidato à segunda suplência de Marina Cândia. Ele renunciou, e a vaga acabou sendo destinada a Jurandir Bóia. A ata da coligação manteve Eudócia Caldas como primeira suplente.

Antes disso, houve ainda discussão política sobre a possibilidade de Lessa integrar a chapa de JHC como candidato a vice-governador. A vaga acabou ficando com Célia Rocha. Posteriormente, Lessa confirmou que também não conseguiu concretizar a mudança pretendida para a primeira suplência de Marina.

Agora, o substituto escolhido para ocupar a segunda suplência também afirma que não pretende permanecer.

A decisão de Bóia ganha peso político especialmente pela forma como foi anunciada: ele não alegou apenas questões pessoais ou burocráticas.

Expôs claramente sua divergência.

“Não votaria em JHC.”

“Não queria e não quero estar na chapa.”

“Não devo nada a ninguém.”

E anunciou que seguirá a posição de seu partido, deixando a composição de Marina Cândia às vésperas da eleição de 4 de outubro.