Diferença de prazos na autorização de operações chama a atenção da PF
Relatório revela que Mendonça gastou 75 dias para autorizar ação contra Castro e apenas 9 para Wagner.
Um relatório da Polícia Federal (PF) usado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para questionar a atuação de André Mendonça aponta uma diferença de prazo na análise de operações envolvendo políticos no caso do Banco Master. A informação foi revelada nesta sexta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo.
Segundo o documento, Mendonça levou 75 dias para autorizar uma operação contra o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), enquanto uma medida semelhante envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi autorizada em apenas nove dias.
A comparação integra o material utilizado por Moraes para sustentar alegações de abuso de autoridade contra Mendonça. O próprio relatório, porém, faz ressalvas sobre a força dessa conclusão, citando a pequena quantidade de casos analisados e diferenças na complexidade dos processos e no período em que cada pedido permaneceu sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Castro é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Mendonça para o STF. A relação entre o ministro e o então governador também aparece em mensagens trocadas em 2022, quando Castro procurou Mendonça para tratar do caso envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.
Em manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça pediu o arquivamento das alegações apresentadas por Moraes e afirmou que uma ala da PF foi "instrumentalizada" contra ele. O ministro defende a regularidade de sua atuação nos casos citados.