Desempenho do Ibovespa Impactado por Temores Inflacionários
Recente IPCA-15 e incertezas em Nova York pressionam índice para baixo.
O temor dos investidores com questões fiscais e relacionadas à inflação no Brasil, além do recuo do petróleo, jogam o Índice Bovespa para baixo. As bolsas em Nova York também demonstram fraqueza. Apesar do recuo do petróleo hoje, as preocupações inflacionárias e juros elevados em economias desenvolvidas, como nos Estados Unidos, persistem.
Aqui, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA -15) de setembro, que superou o teto das projeções, a pesquisa eleitoral Datafolha e a previsão de anúncio de medidas do governo federal para proteção da economia popular mantêm a cautela dos investidores.
"De negativo para a Bolsa e pensando no curto prazo, temos o IPCA-15. Para o trimestre, tem a cautela pelas expectativas de altas de juros pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA", afirma Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.
Hoje à tarde, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve anunciar a proibição do funcionamento das bets no Brasil, em São Paulo.
Entre as iniciativas estão um programa para quitar dívidas antigas de famílias, estudantes, empreendedores e agricultores rurais com recursos do Tesouro e uma medida provisória para proibir bets e jogos como o 'tigrinho'. Isso eleva a cautela fiscal, segundo analistas.
Divulgada ontem, a pesquisa Datafolha mostra o presidente Lula liderando com 40% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 36%, no 1º turno, o que representa um empate técnico. No 2º turno, Lula está à frente, com 47%, contra 45% de Flávio, mantendo também um empate técnico, com alta de 1 ponto cada.
Assim como outros analistas, Cima, da Manchester, declara que apenas uma mudança na Presidência da República poderia fazer a Bolsa engatar alta, em virtude das possibilidades de mudança na condução fiscal do Brasil. "A única coisa que pode fazer o índice andar é a alternância de poder".
Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, ante um recuo de 0,40% em agosto. O resultado superou todas as estimativas dos analistas do mercado financeiro, que iam de alta de 0,45% a 0,66%, com uma mediana de 0,53%.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,99%, aos 183.965,91 pontos, com queda semanal de 0,68%, após recuo de 1,06% na semana passada.
Às 11h15 desta sexta, o índice cedia 0,81%, aos 182.473,08 pontos, após recuo de 0,99%, alcançando mínima de 182.151,01 pontos e máxima de 184.214,48 pontos (+0,14%), com abertura estável em 183.963,28 pontos.
Segundo Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria, a queda do Índice Bovespa não parece ter fundamento claro. "O IPCA-15 veio pior, mas não acho que está fazendo muito preço", afirma.
Ele sugere que o movimento pode estar atrelado a um ajuste técnico, após a recente alta do Ibovespa, motivada pela ideia de uma eleição favorável ao candidato Flávio Bolsonaro, que concorre à Presidência da República.
Hoje, não há negociação de minério de ferro na Bolsa de Dalian por causa de feriado. Às 11h15, o petróleo caía mais de 1%, com o Brent a US$ 98,85 o barril, em meio a propostas de reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada de negociações EUA-Irã.