Eleições na Rússia consolidam poder do partido governante
Resultados refletem controle do Kremlin em meio à guerra
As autoridades russas divulgaram nesta sexta-feira (25) os resultados completos da primeira eleição parlamentar do país em tempos de guerra, que reforçou o controle político do Kremlin. Segundo a Comissão Eleitoral Central, o partido governista Rússia Unida ficará com 349 das 450 cadeiras da Duma, a câmara baixa, um recorde, após uma votação rigidamente controlada e com praticamente nenhuma oposição efetiva.
Quase 60% dos 111 milhões de eleitores aptos participaram do pleito, realizado ao longo de três dias e encerrado no domingo passado, o maior nível de comparecimento já registrado em uma eleição parlamentar. Para elevar a participação, as autoridades diluíram a votação em três dias e autorizaram voto online em algumas regiões.
Foi a primeira eleição parlamentar desde que o presidente Vladimir Putin lançou, em 2022, a invasão em grande escala da Ucrânia, e a primeira a incluir eleitores de quatro regiões ucranianas ocupadas e anexadas ilegalmente por Moscou naquele ano. A votação também ocorreu na Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014. Kiev classificou o pleito nessas áreas como ilegal.
Putin declarou na quarta-feira que o resultado representou uma demonstração de apoio popular às políticas do Kremlin.
A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, afirmou que o Rússia Unida obteve 58% dos votos na parte proporcional (225 assentos distribuídos por partidos) e venceu 209 disputas em distritos de cadeira única, que completam a composição da câmara.
Partidos menores da chamada "oposição sistêmica", que tende a votar em linha com o Kremlin nos principais temas, ficaram com 97 cadeiras. As quatro restantes foram preenchidas por candidatos sem filiação partidária, segundo Pamfilova.
O Rússia Unida e outras legendas disseram ter incluído dezenas de veteranos da guerra na Ucrânia em suas listas. "A experiência de nossos heróis é requisitada (...). Os resultados confirmaram isso claramente", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
O partido liberal Yabloko, a única sigla registrada que criticou publicamente a guerra, foi retirado da disputa no mês passado por decisão da Suprema Corte russa. A legenda tinha apenas algumas dezenas de candidatos em disputas distritais e não elegeu nenhum.
A eleição ocorreu em meio a ataques constantes de drones ucranianos. No domingo, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter derrubado 1.110 drones durante a noite. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, disse que 450 foram abatidos a caminho da capital, no que descreveu como o maior ataque já registrado contra a cidade. Segundo autoridades, a ofensiva danificou uma refinaria e um prédio residencial, matou três pessoas e deixou 38 feridos na região metropolitana.
Pamfilova declarou ainda que seis trabalhadores eleitorais morreram em ataques ucranianos e que 75 locais de votação foram danificados ou destruídos por bombardeios durante o pleito.
Fonte: Associated Press.