Conselho de Paz dos EUA troca ideias com UNRWA em meio a tensões
Philippe Lazzarini revela que há receptividade entre o Conselho de Paz e representantes palestinos.
Enquanto o Conselho de Paz, criado pelos EUA, avança com planos de reconstrução de Gaza e afirma publicamente que não há espaço para a UNRWA - a agência da ONU que há décadas atende palestinos deslocados -, o ex-chefe do órgão disse que, nos bastidores, integrantes do conselho e representantes de um comitê palestino tecnocrático têm sido mais receptivos à cooperação do que aparenta.
Philippe Lazzarini, que deixou o comando da UNRWA no início deste ano, afirmou à Associated Press que membros do comitê palestino escolhido pelo Conselho de Paz querem trabalhar com a agência. Um funcionário confirmou que houve várias reuniões com a UNRWA, mas disse, sob anonimato, que "os dias da agência acabaram" - embora programas "possam persistir" se estiverem servindo bem à população de Gaza.
Israel defende a saída da UNRWA do território e a acusa repetidamente de infiltração por militantes do Hamas. A Corte Internacional de Justiça, porém, diz que essas alegações não foram comprovadas. Apesar das críticas, a UNRWA segue sendo o maior provedor de ajuda em Gaza e tem papel central em saúde e educação.
Quase um ano após o cessar-fogo, não houve reconstrução significativa, e Israel ainda impede a entrada no território do comitê palestino que, em tese, governaria Gaza no futuro, alegando que o Hamas precisa se desarmar antes. Nesse vácuo, a UNRWA permanece com presença robusta: segundo Lazzarini, ela sustenta cerca de metade do sistema público de saúde local. A agência afirma ter cerca de 11 mil funcionários palestinos em Gaza, realizar em média 14 mil atendimentos médicos por dia, manter sistemas de água e saneamento para mais de 1 milhão de pessoas e tocar programas educacionais para centenas de milhares de crianças, inclusive em espaços temporários de aprendizagem.
Lazzarini disse que a UNRWA ajuda a garantir que a assistência chegue a quem precisa, argumentando que, para vacinas e outros serviços alcançarem famílias, é necessário pessoal e capilaridade. Ele também chamou de "contradição absurda" o fato de o Conselho de Paz sinalizar que não quer a agência, enquanto países-membros da ONU ainda esperam que ela entregue serviços no terreno.
Autoridades da ONU ouvidas pela AP afirmaram que houve ao menos três reuniões neste ano entre a UNRWA e o comitê palestino, a mais recente neste mês, e que há comunicação contínua sobre temas técnicos. Um resumo de reunião em abril, obtido pela AP, registra que o comitê apontou a UNRWA como possível líder na reconstrução de campos de refugiados, ressaltando tratar-se de um tema "altamente político". Parceiros do Conselho de Paz, como o Tony Blair Institute, buscaram auxílio da UNRWA.
O funcionário do conselho afirmou que as reuniões miraram entender como a UNRWA opera para desenhar programas "mais eficientes e com mais prestação de contas" e disse que empregados poderiam permanecer se passarem por triagem e cumprirem o mandato, sem promover "ideologia" ou interesses do Hamas. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.