Água requer controle internacional para evitar tensões diplomáticas
Especialistas alerta para a importância de políticas globais em torno da gestão hídrica.
Água insubstituível demanda políticas de controle internacional para evitar chantagens diplomáticas. O desenvolvimento de tecnologias para transpor o curso de rios e a construção de barragens alteraram a geografia de bacias hidrográficas. Quando realizadas em uma nascente de água de maneira estritamente nacional, a discussão se limita ao país. No entanto, quando a obra impacta vários Estados, a questão pode escalar para um problema existencial e, conseqüentemente, militar.
O internacionalista Bernardo Salgado destaca que a água sempre foi um ativo estratégico e, hoje, o recurso atrai a atenção da academia, que desenvolve estudos geopolíticos sobre disputas nesse âmbito. A legislação mundial sobre água, conhecida como Convenção da ONU sobre Cursos de Água Internacionais, busca evitar que a posição favorável de um país em relação a um rio ou fonte de água doce seja convertida em uma soberania absoluta, estabelecendo uma relação equitativa de uso.
O professor de geopolítica Vinicius Modolo Teixeira defende a criação de uma entidade que, de maneira equilibrada, razoável e séria, implemente o bom senso. Ambos os especialistas destacaram, durante a entrevista, a abundância de água presente no Brasil, onde se encontram o Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA) e o Aquífero Guarani.
O Brasil é a nação com maior quantidade de água doce no mundo, seguido pela Rússia e pelo Canadá. Salgado afirma: "A segurança alimentar e a segurança hídrica devem caminhar lado a lado, especialmente na América do Sul, onde temos ambos. O Brasil se destaca como uma superpotência agrícola e hídrica. Assim, temos dois importantes sustentáculos e variáveis de poder no cenário internacional do século XXI."
Por Sputinik Brasil