Delegações abandonam plenário da ONU durante discurso de Netanyahu
Brasil se retira junto com outras nações enquanto líder israelense defende ataques ao Irã.
Dezenas de delegações abandonaram o plenário da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (24) quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu à tribuna. Em sua fala, Netanyahu defendeu ataques ao Irã e afirmou que Tel Aviv também protege países que deixaram o recinto.
O Brasil deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU durante o início do discurso do primeiro-ministro de Israel em Nova York. A retirada ocorreu junto com dezenas de outras delegações, enquanto os representantes que permaneceram no salão vaiavam o israelense e sua equipe o aplaudia de pé.
Quando começou a falar, Netanyahu reagiu à saída dos representantes e afirmou: "Se há outros covardes morais que ainda não saíram do salão, por favor façam isso agora". A Missão Palestina havia pedido previamente que os países deixassem coletivamente o local quando o primeiro-ministro israelense fosse anunciado.
Netanyahu dedicou parte do discurso à defesa das ações militares de Israel e afirmou que o ataque contra o Irã foi "uma das decisões mais fáceis que precisou tomar". Segundo o primeiro-ministro, a ação israelense não teria protegido apenas o próprio país, mas também outras nações.
"Ao se defender, Israel também está defendendo muitos dos países cujos delegados acabam de sair deste salão", afirmou Netanyahu. Em seguida, disse que alguns desses governos agradecem reservadamente a Israel por eliminar armas nucleares iranianas.
Netanyahu ainda respondeu às acusações de colonialismo dirigidas a Israel e citou países europeus. "É estranho que alguns daqueles que nos acusam de colonialismo estejam na Grã-Bretanha e na França, e eu digo a eles: chega de mentiras, pois vocês colonizaram o mundo", afirmou.
Ao defender a existência de Israel, o primeiro-ministro disse que o conflito não se resume à disputa por territórios. "Não se trata de territórios; trata-se da existência de um Estado judeu." O primeiro-ministro acrescentou que aquela não é a primeira vez que Israel enfrenta o risco de ser exterminado.
A Turquia também foi alvo de críticas durante o discurso, quando o líder israelense chamou o presidente Recep Tayyip Erdogan de "tirano" e afirmou que o país se tornou um "superpropagador de mentiras antissemitas". Segundo ele, Erdogan prende jornalistas e líderes da oposição e "pede a destruição de Israel quase todos os dias".
Palestina cobra medidas contra Israel
Horas antes da chegada de Netanyahu à tribuna, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu que a comunidade internacional adote medidas concretas diante da situação na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O discurso foi transmitido por gravação a partir de seu escritório em Ramallah, depois que os Estados Unidos negaram vistos a ele e a outros integrantes da liderança palestina pelo segundo ano consecutivo.
"Não abandonaremos nossa pátria, não aceitaremos o deslocamento e não permitiremos que ninguém decida nosso futuro em nosso nome", afirmou Abbas.
O presidente palestino também defendeu a criação de um Estado palestino e citou a necessidade de impedir a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. "Não queremos outro processo desenhado apenas para administrar o conflito enquanto as realidades no terreno mudam todos os dias", declarou.