SAÚDE

Você já avaliou sua audição para ter certeza de que ouve bem?

De acordo com a OMS, a maioria das pessoas com algum grau de deficiência auditiva acredita que escuta perfeitamente e ignora os sinais da surdez

Por Sig Eikmeier Publicado em 25/09/2026 às 11:03
Gerada por IA / Gemini

Ouvir bem nos conecta com o mundo, aumenta a segurança no dia a dia e contribui para manter o cérebro ativo. No entanto, dados da Organização Mundial da Saúde apontam que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo convivem com algum grau de deficiência auditiva. A OMS alerta que a maior parte dessa população acredita que escuta perfeitamente e ignora os sinais sutis da hipoacusia - a diminuição da capacidade de ouvir, que muitas vezes avança de forma lenta e progressiva.

A atenção à saúde auditiva tem sua conscientização reforçada este mês pelo Dia Nacional do Surdo, lembrado em 26 de setembro. A data chama a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o cuidado com a audição a partir dos primeiros dias de vida, de forma contínua. Dra. Naiara Amorim, otorrinolaringologista do HOPE, conta que “algumas pessoas só descobrem que escutam mal quando já estão adultas e, com o tratamento, se surpreendem com as mudanças na audição”. Um dos casos que ilustra essa situação é o do ator carioca Pedro Neschling, filho da atriz Lucélia Santos, que só soube que tinha perda auditiva aos 18 anos, ao realizar um exame de audiometria solicitado para um trabalho no teatro. Já o influenciador digital, humorista e também ator carioca Franklin Medrado percebeu somente na faculdade que tinha um tipo de surdez genética, após ser alertado por uma colega.

“Hoje é obrigatório o Teste da Orelhinha, que deve ser realizado entre o nascimento do bebê, ainda na maternidade, até o primeiro mês de vida. É um exame rápido, indolor e gratuito, que ajuda a prevenir e diagnosticar a perda auditiva. Ele avalia as respostas das células sensoriais da parte interna da orelha e a capacidade de audição. Quando há alguma alteração, o bebê é encaminhado para exames mais complexos. Além disso, condições mais raras ou dificuldades mais sutis exigem avaliações complementares”, explica a Dra. Naiara Amorim. A médica diz quais são as principais causas da perda auditiva congênita, presente a partir do nascimento:

* Fatores Genéticos e Hereditários: histórico familiar de surdez;
* Infecções Congênitas: doenças contraídas pela mãe durante a gestação, como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, sífilis e herpes;
* Prematuridade e Baixo Peso ao Nascer: condições que podem vir acompanhadas de sofrimento fetal ou internações prolongadas em UTI neonatal;
* Uso de Medicamentos Ototóxicos: fármacos administrados à gestante ou ao recém-nascido que podem lesar o sistema auditivo.

De acordo com a otorrinolaringologista do HOPE, “no período da infância, a dificuldade para ouvir pode causar atrasos severos na fala e no aprendizado. Um dos sinais é quando o bebê deixa de reagir a sons fortes ou à voz dos pais. Conforme a criança cresce, ela pode apresentar desatenção, ignorar chamados e responder somente quando olham diretamente para ela, aumentar o volume da televisão, ter dificuldade para se concentrar na escola, entre outros sintomas”.

Em jovens e adultos, a capacidade auditiva pode ser afetada pela exposição contínua a ruídos intensos, por infecções mal curadas, uso de medicamentos ototóxicos sem acompanhamento e pelo acúmulo excessivo de cera no ouvido. Outro fator que pode contribuir para a surdez é o envelhecimento natural do corpo, com o avanço da idade. “Manter uma rotina de exames para avaliar a capacidade auditiva é fundamental para obter o diagnóstico e iniciar o tratamento, promovendo a melhora da qualidade de vida”, afirma a médica.

Dra. Naiara Amorim orienta que “a pessoa deve sempre consultar um especialista ao perceber zumbido no ouvido, dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos, quando surge o hábito de elevar o tom da voz ao conservar, entre outros sinais que podem indicar redução da audição”.

A deficiência auditiva é tratada de acordo com o grau e a localização da lesão. “Temos dispositivos modernos que amplificam os sons de forma personalizada, implantes indicados para crianças com que não se beneficiam com outros aparelhos e tratamentos cirúrgicos que restauram ou melhoram a audição. O acompanhamento com um fonoaudiólogo pode ser indicado para ajudar o paciente a perceber os sons e a melhorar a comunicação”, completa a médica.