QUEM É O NOVO BISPO

Novo bispo italiano de Palmeira dos Índios tem doutorado em História da Igreja e mais de 25 anos de missão no Brasil

Dom Giovanni Crippa foi professor em Roma, missionário, pároco, bispo auxiliar de Salvador e comandou as dioceses de Estância e Ilhéus antes de chegar a Alagoas

Por Redação Publicado em 25/09/2026 às 20:22
Dom Giovanni Crippa

O novo bispo de Palmeira dos Índios traz na bagagem uma combinação pouco comum de formação acadêmica, experiência missionária e mais de uma década no episcopado brasileiro.

Italiano de nascimento e brasileiro por trajetória pastoral, Dom Giovanni Crippa pertence ao Instituto das Missões da Consolata e atua no país desde o início deste século.

Antes mesmo de chegar ao Brasil, Crippa construiu uma carreira ligada à formação missionária. Foi animador missionário e vocacional em Turim e professor da Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. Também participou do Departamento Histórico dos Missionários da Consolata.

Sua formação acadêmica culminou no doutorado em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana, concluído em 1996.

Mas foi no Brasil que sua trajetória pastoral ganhou dimensão episcopal.

Uma vida construída no Nordeste


Dom Giovanni foi enviado ao Brasil no ano 2000, segundo o Vatican News, e estabeleceu sua atividade pastoral na Bahia. A CNBB registra sua instalação em Feira de Santana a partir de 2001. Ali, atuou como vigário e depois pároco da Santíssima Trindade.

Também trabalhou na formação de religiosos e seminaristas, foi professor de História Eclesiástica, diretor espiritual de seminário, membro do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores e conselheiro de organismos dos Missionários da Consolata.

A mudança decisiva aconteceu em 2012.

Em 21 de março daquele ano, o Papa Bento XVI o escolheu para ser bispo auxiliar de Salvador. Sua ordenação episcopal ocorreu em maio.

Em 2013, Francisco o enviou para Sergipe como administrador apostólico da Diocese de Estância. Em julho de 2014, foi nomeado oficialmente bispo da Diocese.

Permaneceu em Estância durante sete anos.

Em 2021, uma nova missão: o Papa Francisco o nomeou bispo de Ilhéus, no Sul da Bahia. Sua posse aconteceu em 9 de outubro daquele ano.

Agora, em 2026, o Papa Leão XIV volta a transferi-lo, escolhendo-o para comandar a Diocese de Palmeira dos Índios.

Bispo missionário


A palavra “missão” aparece repetidamente quando Dom Giovanni fala sobre sua própria concepção de Igreja.

Em entrevista concedida em Roma aos Missionários da Consolata em 2024, ele afirmou que um dos grandes desafios de uma diocese é não se fechar sobre si mesma, mas participar de uma Igreja com dimensão universal.

Ele também destacou o papel dos leigos, apontando-os como uma das grandes forças das comunidades católicas.

Na Diocese de Ilhéus, as prioridades pastorais mencionadas pelo bispo em 2024 eram juventude, sinodalidade e vocações.

Essa experiência provavelmente será um dos elementos que Dom Giovanni levará para Palmeira dos Índios, embora as prioridades de sua nova gestão só possam ser definidas depois do contato direto com o clero, religiosos, movimentos e comunidades da Diocese alagoana.

“Cheiro das ovelhas”


Quando foi transferido de Estância para Ilhéus, em 2021, Dom Giovanni usou uma expressão fortemente associada ao pontificado de Francisco: a necessidade de ser um pastor próximo do povo, um pastor com “cheiro das ovelhas”.

A entrevista foi publicada pelo Vatican News na ocasião de sua nomeação para a Diocese baiana.

Poucos meses depois de chegar a Ilhéus, enfrentou uma das primeiras grandes situações humanitárias de seu episcopado na região: as enchentes que atingiram o Sul da Bahia no final de 2021. Na ocasião, descreveu a Igreja local como atuando na linha de frente do atendimento às populações atingidas.

É esse bispo — formado em Roma, moldado pela espiritualidade missionária da Consolata e com mais de duas décadas de vida pastoral no Nordeste — que agora chega a Alagoas.