Vendas de livro de autor canadense acusam uso de IA aumentam na França
Após retirada da obra do Goncourt, vendas de Cétait ça ou mourir crescem exponencialmente.
Depois de ser acusado de usar inteligência artificial (IA) para escrever o livro Cétait ça ou mourir (Era isso ou morrer, em tradução livre) e, por isso, ter a obra retirada da seleção do prestigiado Goncourt, um dos mais importantes prêmios literários na França, o escritor canadense Thélyson Orélien viu as vendas do livro dispararem.
De acordo com a Nielsen e a revista Livres Hebdo, que monitoram as vendas de livros na França, o livro teve 18.254 cópias vendidas na semana entre os dias 21 e 27 de setembro. O período coincide com o anúncio da Academia Goncourt, no dia 25, de retirar o livro de Orélien da lista de candidatos, devido a acusações de plágio e uso da inteligência artificial.
Com esse volume de vendas, Cétait ça ou mourir alcançou o topo da lista de ficção da Nielsen/Livres Hebdo. Desde agosto, quando o livro foi lançado, a lista registra a venda de 65 mil exemplares.
Entenda a polêmica
A polêmica veio à tona depois que um perfil anônimo no X (antigo Twitter) acusou Orélien de ter escrito o livro "quase inteiramente", usando inteligência artificial.
Para justificar sua decisão, a Academia Goncourt afirmou que se baseou nos "resultados convergentes de diversas análises realizadas por pesquisadores e jornalistas confiáveis, que demonstram que Cétait ça ou mourir é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial".
Quando a Academia Goncourt fez o anúncio, o autor, que tem também a nacionalidade haitiana, estava na França, onde seu livro se tornou um verdadeiro fenômeno literário e era apontado como um dos favoritos para a temporada de premiações.