Dia Internacional do Café: por que a bebida virou também um ritual de pausa na rotina
Presente em 98% dos lares brasileiros, café deixa de ser apenas uma bebida e passa a ocupar espaço em momentos de pausa, conversa e reflexão
Para milhões de brasileiros, o dia começa com um gesto quase automático: preparar uma xícara de café. Mas, em meio a uma rotina cada vez mais acelerada, a bebida também passou a representar algo que vai além do consumo. É o intervalo antes de começar o trabalho, a conversa depois do almoço, o encontro entre amigos ou alguns minutos de silêncio antes de enfrentar o restante do dia.
Celebrado em 1º de outubro, o Dia Internacional do Café foi criado pela Organização Internacional do Café (OIC) para reunir países e consumidores em torno da bebida e também reconhecer toda a cadeia envolvida em sua produção.
No Brasil, essa relação é especialmente presente. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o café estava presente em 98% dos lares brasileiros em 2025. No mesmo ano, foram consumidas 21,4 milhões de sacas no país, enquanto o consumo médio chegou a aproximadamente 1.400 xícaras por pessoa ao ano.
Mais do que os números, esses hábitos ajudam a explicar por que o café ocupa um espaço tão particular na rotina. A bebida costuma estar associada a momentos de transição: acordar, começar uma atividade, fazer uma pausa ou encerrar uma refeição. Em alguns casos, esse intervalo também ganha um significado mais pessoal.
É justamente essa relação entre café e pausa que está na origem do projeto Café com Deus Pai, do escritor Junior Rostirola. Para ele, a bebida representa um momento cotidiano que pode ganhar outro significado quando utilizado como oportunidade de conversa, reflexão e proximidade com Deus.
“O café simboliza uma pausa, um momento de conversa, acolhimento e proximidade. Já Deus Pai representa o relacionamento íntimo que podemos desenvolver com Ele. A ideia sempre foi transmitir a mensagem de que Deus quer estar presente no nosso dia a dia, não apenas nos grandes momentos da vida, mas também nas pequenas pausas da rotina”, afirma Rostirola.
A proposta, segundo o autor, é que esse momento não fique restrito ao hábito de consumir a bebida, mas seja associado a um encontro diário.
“Mais do que um título, Café com Deus Pai é um convite para um encontro diário com Deus. É sentar-se à mesa com o Pai, ouvir Sua voz e encontrar direção para enfrentar cada novo dia”, explica.
A ideia de transformar uma ação cotidiana em um momento de pausa também dialoga com uma rotina marcada pelo excesso de estímulos. O intervalo para o café pode ser acompanhado de uma conversa, uma leitura, alguns minutos de silêncio ou simplesmente da decisão de interromper o ritmo por alguns instantes.
Nesse contexto, o café funciona como uma espécie de marcador de tempo. É uma bebida presente em diferentes momentos do dia e que, culturalmente, costuma estar ligada à convivência. O convite para “tomar um café” muitas vezes significa também abrir espaço para conversar, receber alguém ou compartilhar alguns minutos.
O próprio Rostirola afirma que a bebida não é o elemento central de seu projeto, mas aquilo que ela representa.
“Eu gosto de tomar café. Mas costumo dizer que o sucesso do livro não está na bebida, e sim no que ela representa. O café faz parte da cultura brasileira e geralmente está associado a momentos de conversa, acolhimento e relacionamento. Dentro do projeto, ele se tornou uma metáfora para essa pausa intencional. É um convite para desacelerar por alguns minutos e permitir que Ele fale ao nosso coração. Essa é a essência do Café com Deus Pai”, afirma.
A relação entre café e convivência também ajuda a entender por que a bebida ganhou um papel que ultrapassa o aspecto gastronômico. Em diferentes contextos, a xícara aparece como elemento de encontro: está presente nas reuniões de trabalho, nas visitas à família, nos encontros entre amigos e nos momentos em que alguém simplesmente convida o outro para “tomar um café”.
Essa característica faz com que o café seja associado não apenas ao sabor ou ao efeito estimulante da bebida, mas também ao tempo compartilhado. Em uma rotina em que muitas atividades acontecem simultaneamente, parar para tomar um café pode significar, ainda que brevemente, fazer uma coisa de cada vez.