DESESPERO

O “Poderoso chefão” Arthur Lira na UTI: aliados pressionam Davi Davino a sair, ele recusa, contra ataca e abre guerra entre ‘bolsominions’ como o Cabo Bebeto

Saída de Alfredo Gaspar abriu espaço para Arthur Lira, mas candidatura de Marina Cândia complicou seus planos; agora, terceiros pedem a retirada de Davi Davino

Por Redação Publicado em 01/10/2026 às 14:00
No tabuleiro da política, as peças mudaram de posição: quem antes parecia puxar os fios agora vê o jogo escapar das mãos e a cadeira de comando parece ter outro dono

O “poderoso chefão” da política alagoana chega à reta final da campanha precisando de uma operação de salvamento. Depois de ganhar espaço com a saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado, Arthur Lira enfrenta uma eleição competitiva, a presença de Marina Cândia no mesmo campo político e a resistência de Davi Davino Filho. A pressão de setores da direita para retirar Davi do pleito expõe, nesta análise, o desespero para salvar a candidatura do ex-presidente da Câmara.


Os pedidos partem de terceiros. Segundo o portal 7Segundos, Cabo Bebeto, Eduardo Canuto e Anderson Xavier, do MBR (Movimento Brasil), divulgaram vídeos defendendo a retirada de Davi. A justificativa é direcionar seus votos para Arthur Lira e Marina, numa tentativa de impedir a eleição de Renan Calheiros.


A ofensiva revela quanto incomoda a permanência de uma candidatura que essas lideranças gostariam de retirar do caminho. Sob a bandeira de derrotar Renan, pede-se que Davi abra mão de disputar o voto — e que seus eleitores aceitem os nomes escolhidos por outros.

O caminho aberto pela saída de Alfredo


A imagem do “poderoso chefão”, já utilizada pelo Jornal Tribuna do Sertão para interpretar a influência de Lira em Alagoas e no Congresso, ajuda a compreender o tamanho da expectativa criada em torno de sua candidatura.
Um dos principais obstáculos desapareceu quando Alfredo Gaspar deixou a corrida ao Senado para ser candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro. Gaspar era considerado competitivo para uma das duas vagas, conforme reportagem da Reuters sobre o anúncio da chapa presidencial.


A saída limpou parte do campo disputado por Lira. A CNN registrou que o movimento foi recebido com alívio por seu grupo, que esperava absorver votos do eleitorado conservador. A mesma reportagem, contudo, distinguiu as suspeitas de interferência de Lira da versão de fontes do PL, segundo as quais a negociação ocorreu no núcleo da campanha presidencial.


O efeito eleitoral foi claro: um concorrente de peso saiu da disputa. A autoria da articulação, porém, não pode ser apresentada como comprovada pelas fontes consultadas.

Marina entrou no espaço que Lira pretendia ocupar


O caminho não ficou livre como seus aliados poderiam desejar. JHC lançou a esposa, Marina Cândia, ao Senado e colocou no mesmo campo uma candidatura com acesso direto ao seu eleitorado. Um presente de grego para o “chefão”.


Como o Jornal Tribuna do Sertão já analisou, a prioridade familiar de JHC criou um problema para o parceiro indigesto: Lira passou a disputar o voto disponível depois da escolha por Marina. Nessa leitura, a reciprocidade esperada na aliança esbarrou no projeto eleitoral da própria família do ex-prefeito. Marina que seria um simples “bate esteira” para Lira se transformou num grave problema para ele.


A competição aparece nos números. Pesquisa Real Time Big Data divulgada pelo R7 em 25 de setembro apresentou Marina com 23%, Renan com 22% e Lira com 20%, em empate técnico pela margem de dois pontos. Davi registrou 17%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 21 e 24 de setembro e foi registrado sob o número AL-06597/2026.


Esses dados mostram uma disputa aberta e sustentam o risco de Lira ficar sem uma das cadeiras. Não autorizam tratar sua derrota como definida.


Davi respondeu ao cerco


É nesse cenário que surge a pressão para retirar Davi. O ‘bolsominion’ (expressão utilizada popularmente para apoiadores fidagais de Bolsonaro) Cabo Bebeto pediu publicamente que os eleitores concentrem os votos em Arthur e Marina, afirmando que a escolha por Davi enfraquece os dois diante de Renan.


Davi reagiu. Em vídeo repercutido pelo Jornal de Alagoas, apontou Lira como a figura de poder por trás do que chamou de “sistema” da direita e o acusou de tentar impedir uma composição de sua candidatura com JHC. São acusações do candidato, sem comprovação independente nas fontes consultadas.


“Vocês jamais mudarão a minha opinião e jamais me comprarão”, declarou, na resposta reproduzida pelo veículo.


A reação transforma a operação de salvamento em confronto público. Os setores que tentam conduzir o eleitorado contra Renan agora precisam explicar por que um candidato da própria direita deve ser sacrificado para preservar Lira.


O “poderoso chefão” Arthur Lira pode influenciar alianças, reunir estruturas e ganhar espaço com a saída de adversários. Mas esses últimos episódios revelam o limite desse poder: Davi resiste à pressão, e o eleitor continua tendo a palavra final.