CAIXA2/REPERCUSSÃO NACIONAL

Portal Metrópoles: Ação no TRE-AL acusa JHC, Arthur Lira e aliados de uso de caixa 2 em pesquisas eleitorais

Denúncia apresentada pela oposição aponta custeio irregular de R$ 329 mil em levantamentos por microempresa ligada a servidoras da Prefeitura de Maceió; oposição pede cassação e inelegibilidade dos candidatos

Por Redação Publicado em 01/10/2026 às 13:29
Portal Metrópoles: Ação no TRE-AL acusa JHC, Arthur Lira e aliados de uso de caixa 2 em pesquisas eleitorais Reprodução

Uma ação judicial protocolada no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) acusa o candidato ao governo do Estado, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), de utilizar recursos não declarados (caixa 2) para o financiamento de pesquisas de intenção de voto. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles, de Brasília.

O processo eleitoral não se restringe a JHC: atinge também sua candidata a vice-governadora, Célia Rocha, além dos postulantes ao Senado Marina Cândia (PSDB) e Arthur Lira (PP), juntamente com seus respectivos suplentes.

A representação foi movida pela coligação "Pra Alagoas Fazer História de Novo", encabeçada pelo MDB, grupo político adversário na disputa pelo Executivo estadual.

Movimentação financeira sob suspeita

Segundo a petição inicial, no período compreendido entre abril e setembro de 2026, a empresa Agora Alagoas Comunicação Ltda contratou e pagou R$ 329 mil por sete pesquisas eleitorais focadas nas disputas para o governo e o Senado. Os levantamentos foram executados pelo Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu Ltda (TDL Pesquisas), de propriedade de Tadeu Lira, primo do deputado e candidato ao Senado Arthur Lira.

Das sete pesquisas contratadas, seis haviam sido divulgadas até a publicação da matéria — todas indicando JHC na liderança da corrida eleitoral.

A coligação autora da ação sustenta que nenhum dos montantes despendidos consta na prestação de contas de JHC ou dos partidos que integram sua aliança política. O que chama a atenção dos investigadores é o fato de o pagamento ter sido efetuado por uma agência de notícias registrada como microempresa, cujo capital social declarado é de apenas R$ 5 mil.

Conforme os cálculos apresentados no processo, a quantia aplicada na aquisição dos levantamentos ao longo de cinco meses representa mais de 65 vezes o capital social da referida empresa e atinge cerca de 91% do limite de faturamento anual permitido para a sua categoria empresarial. Diante da desproporção, os autores exigem a comprovação da origem dos fundos.

Conexões com a administração municipal

A peça jurídica detalha ainda os vínculos mantidos entre as sócias da Agora Alagoas e a Prefeitura de Maceió — gestão que esteve sob o comando de JHC até abril deste ano, data em que se afastou do cargo para concorrer ao governo estadual.

Uma das integrantes da sociedade, Eduarda Nicole Sá Calheiros, ocupa cargo de servidora na Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio, tendo sido nomeada durante o mandato do ex-prefeito. A sócia majoritária e administradora do veículo, Beatriz Ardison dos Santos, é mãe de um comissionado lotado na mesma pasta municipal, o qual já atuou como secretário parlamentar de JHC.

Disseminação coordenada e uso de mídia

Outro ponto destacado na representação diz respeito ao padrão de veiculação das pesquisas. De acordo com o documento, os dados foram publicados de forma simultânea — com intervalos de aproximadamente dois minutos — em veículos pertencentes a um mesmo grupo de comunicação.

A referida rede de mídia já havia sido objeto de sanção prévia por parte do TRE-AL, que determinou a suspensão temporária de sua programação devido à veiculação articulada de conteúdos favoráveis a JHC, conduta enquadrada como uso indevido dos meios de comunicação social. A acusação afirma que as empresas controladoras dessa rede pertencem ao candidato e ao seu pai, o ex-deputado João Caldas.

O processo relata ainda o impulsionamento pago de duas pesquisas na página do portal Francês News (mantido pela Alagoas Comunicação Ltda, sociedade atribuída a JHC e seu pai). Adicionalmente, pontua que o proprietário do instituto de pesquisa participou de transmissões no estúdio da Agora Alagoas e em emissoras da mesma rede para projetar a vitória de JHC no primeiro turno, momento em que declarou publicamente sua preferência pela família do candidato. Os mesmos levantamentos apontavam Arthur Lira, integrante da coligação "Alagoas Gigante II", na liderança da corrida ao Senado.

Pedidos de cassação e inelegibilidade

Os autores enquadram a conduta como captação e gasto ilícito de recursos (artigo 30-A da Lei nº 9.504/1997 — Lei das Eleições) e abuso de poder econômico. Com base em jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — que considera ilícita a realização de pesquisa eleitoral paga com recursos de origem não identificada e omitida da contabilidade de campanha —, a coligação pede a cassação do registro ou do diploma de todos os beneficiados, além da declaração de sua inelegibilidade.

Além dos políticos, a ação aponta como colaboradores Beatriz Ardison dos Santos, Eduarda Nicole Sá Calheiros e Tadeu Lira. Foi solicitado que os investigados e as empresas citadas apresentem notas fiscais, contratos e demonstrativos contábeis para comprovar a origem do capital empregado.

Ação segue pendente de análise e julgamento no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.