SÉRIE | O CUSTO DA CAMPANHA

Após gastar R$ 2,15 milhões e ficar suplente em 2022, milionário Gilvan Barros volta pelo PSDB com campanha de R$ 164 mil

Ex-candidato do PP teve 53.732 votos há quatro anos; agora, pelo PSDB, arrecadação inicial é quase 13 vezes menor que a da disputa anterior

Por Redação Publicado em 28/09/2026 às 20:17
Gilvan Barros Reprodução / Instagram

Gilvan Gomes Barros volta a disputar uma vaga de deputado federal por Alagoas em 2026, agora pelo PSDB, com uma estrutura financeira muito menor do que a utilizada na eleição anterior.

Em 2022, quando concorreu pelo PP, Gilvan arrecadou e gastou R$ 2.150.260,37. Desse total, R$ 2 milhões vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, repassados pela direção nacional do Progressistas, enquanto aproximadamente R$ 150,2 mil foram recursos próprios.

Naquela disputa, ele recebeu 53.732 votos, ficou em 12º lugar entre os candidatos a deputado federal e terminou como suplente.

Quatro anos depois, a fotografia financeira é bem diferente.

R$ 164,8 mil arrecadados em 2026


A prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral registra R$ 164.857,14 em receitas.

Desse total, R$ 146.857,14 correspondem a recursos partidários, enquanto R$ 18 mil aparecem como recursos próprios do candidato.

Assim, aproximadamente 89,1% de toda a arrecadação atual tem origem partidária.

Gilvan concorre com o número 4522, pelo PSDB, dentro da Federação PSDB-Cidadania. Sua candidatura está deferida.

Campanha atual equivale a menos de 8% da anterior


A comparação com 2022 é o dado mais expressivo.

Há quatro anos, a campanha movimentou R$ 2,15 milhões. Agora, até a atualização apresentada, foram arrecadados R$ 164,8 mil.

Isso significa que a arrecadação atual equivale a apenas cerca de 7,7% do total movimentado na eleição passada.

Em valores nominais, a diferença é de aproximadamente R$ 1,985 milhão a menos.

Os dados ainda são parciais e a campanha de 2026 pode receber novos recursos até o fechamento da prestação de contas.

R$ 148 mil já contratados


A campanha atual registra R$ 148.123,50 em despesas contratadas.

Desse montante, apenas R$ 10 mil aparecem como efetivamente pagos até a atualização exibida.

Entre os principais grupos de gastos aparecem aproximadamente:

• R$ 92 mil com serviços prestados por terceiros;
• R$ 20 mil com serviços contábeis;
• cerca de R$ 14 mil com publicidade por adesivos;
• R$ 10 mil com serviços advocatícios;
• R$ 10 mil com impulsionamento de conteúdo.

Assim, cerca de 89,9% de tudo o que já foi arrecadado está comprometido em despesas contratadas.


Em 2022, 93% do dinheiro veio do Fundo Eleitoral


Na eleição passada, o peso dos recursos públicos foi ainda maior.

Dos R$ 2,15 milhões arrecadados em 2022, R$ 2 milhões vieram do Fundo Eleitoral do PP, o equivalente a aproximadamente 93% de toda a receita da campanha. Os R$ 150.260,37 restantes foram recursos próprios de Gilvan.

Naquela eleição, os maiores gastos foram R$ 823,5 mil com serviços prestados por terceiros, R$ 420,1 mil com materiais impressos, R$ 263,1 mil com adesivos e R$ 250 mil com pesquisas ou testes eleitorais.

A relação puramente aritmética entre o gasto de R$ 2,15 milhões e os 53.732 votos obtidos foi de aproximadamente R$ 40 por voto.

Esse cálculo serve apenas para dimensionar financeiramente a campanha e não significa compra de votos ou qualquer irregularidade.

Do PP ao PSDB


Gilvan também mudou de partido entre as duas disputas.

Em 2022, concorreu pelo PP, com o número 1100. Em 2026, tenta novamente chegar à Câmara dos Deputados pelo PSDB, número 4522.

A trajetória eleitoral é longa. Gilvan já foi deputado estadual e disputou eleições desde pelo menos 2006. Em 2010, foi eleito deputado estadual pelo PSDB com 34.137 votos. Em 2014 integrou chapa majoritária como candidato a vice-governador e, em 2022, tentou a Câmara dos Deputados pelo PP.

Agora, retorna ao PSDB para mais uma tentativa de mandato federal.

Patrimônio elevado


Na eleição de 2022, Gilvan declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 18,26 milhões, distribuídos em dezenas de bens.

O dado patrimonial, assim como os valores de campanha, é autodeclarado à Justiça Eleitoral e não implica qualquer irregularidade.

A série “O Custo da Campanha” acompanha as prestações de contas das candidaturas alagoanas, comparando arrecadação, origem dos recursos, gastos, patrimônio, partidos e resultados eleitorais anteriores.