SÉRIE | O CUSTO DA CAMPANHA

De R$ 1,88 milhão para R$ 3,23 milhões: Nivaldo Albuquerque quase dobra arrecadação e recebe R$ 3,1 milhões em recursos públicos

Deputado federal do União Brasil teve 67.697 votos em 2022; quatro anos depois, campanha já arrecadou R$ 3,23 milhões, dos quais R$ 3,1 milhões vêm de fundos públicos

Por Redação Publicado em 28/09/2026 às 18:48
O deputado federal Nivaldo Albuquerque Reprodução / Câmara dos Deputados

O deputado federal Nivaldo Albuquerque, candidato à reeleição pelo União Brasil, chega à campanha de 2026 com uma estrutura financeira significativamente maior do que a utilizada na disputa anterior.

Em 2022, quando concorreu pelo Republicanos, Nivaldo declarou R$ 1,883 milhão em receitas e o mesmo valor em despesas contratadas. Da arrecadação daquele ano, aproximadamente R$ 1,845 milhão vieram de fundos públicos. Ele recebeu 67.697 votos e foi eleito por média.

Em 2026, agora pelo União Brasil, os números já são bem maiores.

Segundo a prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral e exibida no demonstrativo atualizado em 21 de setembro, Nivaldo já arrecadou R$ 3.230.800,00.

Desse montante, R$ 3,1 milhões correspondem a recursos públicos, o equivalente a aproximadamente 95,9% de tudo o que entrou na campanha. Os demais valores incluem recursos próprios e doações de pessoas físicas. 

R$ 3,1 milhões públicos e perto do teto


O limite legal de gastos para uma candidatura a deputado federal em Alagoas é de R$ 3.176.572,53.

Só os R$ 3,1 milhões provenientes de fundos públicos correspondem a cerca de 97,6% desse limite de gastos.

A arrecadação total de R$ 3,23 milhões pode superar o teto porque receita arrecadada e limite legal de despesas são conceitos distintos: o teto se aplica aos gastos eleitorais sujeitos ao limite, e eventual sobra deve observar as regras de prestação de contas.

Nivaldo disputa a eleição de 2026 pelo União Brasil, número 4400, dentro da Federação União Progressista. Seu registro consta como deferido.

Gastos já passam de R$ 2,5 milhões


A campanha registra R$ 2.544.197,90 em despesas contratadas.

Desse total, R$ 2.509.197,90 já foram pagos.

Ou seja, a candidatura já comprometeu aproximadamente 78,7% de toda a arrecadação declarada até aquele momento.

Entre as principais categorias de despesas apresentadas estão cerca de:

- R$ 1,225 milhão em despesas diversas especificadas na prestação;
- R$ 580 mil com produção de programas de rádio, televisão ou vídeo;
- R$ 280 mil com serviços advocatícios;
- aproximadamente R$ 267 mil com materiais impressos;
- R$ 150 mil com serviços contábeis.

Os números mostram uma campanha que já opera em patamar próximo ao limite máximo autorizado para uma candidatura à Câmara.



Campanha cresceu cerca de 72%


A comparação com 2022 mostra a dimensão da mudança.

Há quatro anos, Nivaldo arrecadou R$ 1,883 milhão. Agora já soma R$ 3,2308 milhões.

É um crescimento nominal de aproximadamente 71,6% na arrecadação entre as duas disputas.

Também houve aumento expressivo dos recursos públicos: de cerca de R$ 1,845 milhão em 2022 para R$ 3,1 milhões em 2026, alta nominal de aproximadamente 68%.

Votação caiu entre 2018 e 2022


Nivaldo Albuquerque foi eleito deputado federal em 2018 pelo PTB, quando recebeu 84.956 votos.

Em 2022, já pelo Republicanos, recebeu 67.697 votos — uma redução de aproximadamente 20,3% em relação à eleição anterior — mas manteve a cadeira na Câmara dos Deputados. 

Agora disputa nova reeleição pelo União Brasil, partido ao qual se filiou em 2026. A própria legenda anunciou sua chegada à bancada em julho deste ano. União Brasil

A trajetória partidária também mudou ao longo das quatro disputas federais: PRP em 2014, PTB em 2018, Republicanos em 2022 e União Brasil em 2026. Em 2014 ficou na suplência; em 2018 e 2022 conquistou mandato.

Patrimônio também cresceu


Nivaldo declarou em 2026 patrimônio de aproximadamente R$ 6,77 milhões, incluindo imóveis, veículos, participação empresarial e aplicações financeiras.

Em 2022, o patrimônio declarado era de aproximadamente R$ 3,69 milhões. 

Isso representa um aumento nominal de cerca de 83% entre as duas declarações patrimoniais. A comparação é meramente descritiva e não implica irregularidade, já que patrimônio pode variar por valorização, aquisição, venda ou alteração na composição dos bens declarados.