Após 590 votos para vereadora, Maria Cristina recebe R$ 700 mil do PL para tentar vaga de deputada federal
Candidata deixou o União Brasil, onde ficou na suplência em Maceió em 2024, e agora disputa pelo Partido Liberal com campanha 100% financiada pelo Fundo Eleitoral
Maria Cristina da Silva, candidata a deputada federal pelo PL em Alagoas, chega à eleição de 2026 com uma trajetória recente bastante diferente da atual estrutura financeira de sua campanha.
Em 2024, Maria Cristina disputou uma vaga de vereadora em Maceió pelo União Brasil. Recebeu 590 votos, equivalentes a 0,13% dos votos válidos para o cargo, e terminou como suplente. O resultado oficial do TRE-AL a registra como 7ª suplente da legenda. Tribunal Regional Eleitoral
Dois anos depois, ela mudou de partido, passou para o PL e saltou da disputa municipal para uma candidatura à Câmara dos Deputados.
E a estrutura financeira da nova campanha também ganhou outra dimensão.
R$ 700 mil, todos do PL
Segundo a prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, Maria Cristina declarou R$ 700 mil em receitas.
Todo o valor é proveniente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, repassado pelo Partido Liberal.
Isso significa que, até o momento retratado pela prestação de contas, 100% da campanha da candidata é financiada com recursos públicos.
Não aparecem recursos próprios, doações de pessoas físicas ou outras fontes de receita.
O PL, portanto, é até agora o único financiador da candidatura.
Mais de R$ 562 mil já contratados
A campanha de Maria Cristina registra R$ 562.695,45 em despesas contratadas.
O montante representa aproximadamente 80,4% de tudo o que ela recebeu do Fundo Eleitoral.

Do total contratado, R$ 404.266,73 já aparecem como despesas pagas.
Entre os principais grupos de despesas estão:
- R$ 121,5 mil com pessoal;
- aproximadamente R$ 103 mil com atividades de militância e mobilização de rua;
- R$ 80 mil com produção de programas de rádio, televisão ou vídeo;
- R$ 60 mil com serviços advocatícios;
- cerca de R$ 59 mil com material impresso.
Dados mais recentes disponíveis em bases que reproduzem as informações do TSE também apontam cerca de R$ 563 mil em gastos contratados, com pessoal e mobilização entre os principais itens.
Do União ao PL
A mudança partidária é outro elemento relevante da candidatura.
Em 2024, Maria Cristina concorreu pelo União Brasil, usando o número 44007. Agora, em 2026, disputa pelo PL, com o número 2277.
A candidata declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 125.261,44, composto principalmente por um automóvel avaliado em R$ 72,8 mil, uma casa de R$ 50 mil e valores mantidos em contas bancárias.
Os R$ 700 mil recebidos do Fundo Eleitoral equivalem a cerca de 5,6 vezes o patrimônio declarado pela candidata. A comparação serve apenas para dimensionar os valores envolvidos, já que patrimônio pessoal e recursos eleitorais possuem naturezas jurídicas e contábeis distintas.
O limite legal de gastos para a candidatura a deputado federal no primeiro turno é de R$ 3.176.572,53. A candidatura de Maria Cristina está deferida.
A série “O Custo da Campanha” acompanha as prestações de contas das candidaturas alagoanas, buscando não apenas o valor recebido, mas também o histórico eleitoral, as mudanças partidárias, a evolução das campanhas e o destino dos recursos públicos utilizados na eleição.