Plenário vota projeto que mantém incentivos tributários para entidades filantrópicas
Proposta busca reverter mudanças na lei que reduziram benefícios para organizações sem fins lucrativos. Pauta inclui medidas de proteção à mulher e à infância.
O Plenário do Senado pode votar na próxima terça-feira (26), a partir das 14h, três projetos voltados à proteção social, combate à violência e incentivos tributários. Entre eles está o projeto que permite que entidades sem fins lucrativos mantenham incentivos e benefícios tributários, mesmo sem qualificações específicas por lei. O objetivo é reverter mudanças aprovadas na Lei Complementar de 2025 que, segundo o autor, o senador Flávio Arns (PSB-PR), impactariam níveis de atividades sociais, culturais e educacionais.
A pauta inclui ainda uma proposta que amplia o prazo para vítimas de violência doméstica denunciarem agressores, além de um projeto que fortalece ações de proteção infantil nas escolas.
Entidades sem fins fina
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2026, de autoria do senador Flávio Arns, altera a Lei Complementar 224, de 2025, que determinava redução linear de 10% nos incentivos e benefícios tributários concedidos pela União. A proposta amplia a proteção para alcançar pessoas jurídicas sem fins lucrativos que possam ficar de fora das propostas previstas na legislação.
O texto também busca preservar benefícios relacionados ao chamado terceiro setor, além de incentivos para doações e patrocínios dedutíveis do Imposto de Renda.
A relatora, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), apresentou parecer favorável ao projeto. A votação foi prevista para a última terça-feira (19), mas foi adiada para permitir negociações com o governo.
Violência doméstica
Também deve ser aplicado o PL 421/2023, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que amplia de seis meses para um ano o prazo para vítimas de violência doméstica e familiar contra a mulher apresentarem reclamação ou representação contra o agressor.
O projeto altera o Código Penal, a Lei Maria da Penha e o Código de Processo Penal. Já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o texto teve parecer favorável da senadora Professora Dorinha Seabra.
No relatório, a relatora argumenta que mulheres vítimas de violência doméstica muitas vezes convivem com o agressor, mantêm vínculos afetivos ou dependência econômica, o que pode exigir mais tempo para a decisão de denunciar.
“A vítima necessita de um prazo maior de reflexão para exercer o direito de queixa ou representação, a fim de vencer o medo, a vergonha, o trauma e até mesmo o eventual sentimento que ainda nutra pelo agressor, e reunir as condições para denunciar as agressões sofridas”, destacou o senador no relatório.
infantil
A diretriz do Plenário inclui ainda o PL 4.161/2025, originado na Comissão de Direitos Humanos (CDH), que prevê ações das escolas para conscientização sobre os direitos de crianças e adolescentes, mecanismos de proteção e canais de denúncia e ajuda.
O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e recebeu parecer favorável da senadora Leila Barros (PDT-DF) na Comissão de Educação (CE).
A proposta surgiu a partir de diligência externa realizada em Roraima, que acordos de relatos de abusos, exploração sexual e outras violações contra crianças e adolescentes, além de falhas na articulação dos órgãos de proteção.
O olhar destaca ainda dados do Atlas da Violência de 2025, que apontam aumento dos registros de violência contra crianças e adolescentes, reforçando o papel das escolas na prevenção e enfrentamento dessas situações.