SENADO FEDERAL

Plenário vota projeto que mantém incentivos tributários para entidades filantrópicas

Proposta busca reverter mudanças na lei que reduziram benefícios para organizações sem fins lucrativos. Pauta inclui medidas de proteção à mulher e à infância.

Publicado em 25/05/2026 às 10:33
Plenário do Senado Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O Plenário do Senado pode votar na próxima terça-feira (26), a partir das 14h, três projetos voltados à proteção social, combate à violência e incentivos tributários. Entre eles está o projeto que permite que entidades sem fins lucrativos mantenham incentivos e benefícios tributários, mesmo sem qualificações específicas por lei. O objetivo é reverter mudanças aprovadas na Lei Complementar de 2025 que, segundo o autor, o senador Flávio Arns (PSB-PR), impactariam níveis de atividades sociais, culturais e educacionais.

A pauta inclui ainda uma proposta que amplia o prazo para vítimas de violência doméstica denunciarem agressores, além de um projeto que fortalece ações de proteção infantil nas escolas.

Entidades sem fins fina

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2026, de autoria do senador Flávio Arns, altera a Lei Complementar 224, de 2025, que determinava redução linear de 10% nos incentivos e benefícios tributários concedidos pela União. A proposta amplia a proteção para alcançar pessoas jurídicas sem fins lucrativos que possam ficar de fora das propostas previstas na legislação.

O texto também busca preservar benefícios relacionados ao chamado terceiro setor, além de incentivos para doações e patrocínios dedutíveis do Imposto de Renda.

A relatora, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), apresentou parecer favorável ao projeto. A votação foi prevista para a última terça-feira (19), mas foi adiada para permitir negociações com o governo.

Violência doméstica

Também deve ser aplicado o PL 421/2023, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que amplia de seis meses para um ano o prazo para vítimas de violência doméstica e familiar contra a mulher apresentarem reclamação ou representação contra o agressor.

O projeto altera o Código Penal, a Lei Maria da Penha e o Código de Processo Penal. Já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o texto teve parecer favorável da senadora Professora Dorinha Seabra.

No relatório, a relatora argumenta que mulheres vítimas de violência doméstica muitas vezes convivem com o agressor, mantêm vínculos afetivos ou dependência econômica, o que pode exigir mais tempo para a decisão de denunciar.

“A vítima necessita de um prazo maior de reflexão para exercer o direito de queixa ou representação, a fim de vencer o medo, a vergonha, o trauma e até mesmo o eventual sentimento que ainda nutra pelo agressor, e reunir as condições para denunciar as agressões sofridas”, destacou o senador no relatório.

infantil

A diretriz do Plenário inclui ainda o PL 4.161/2025, originado na Comissão de Direitos Humanos (CDH), que prevê ações das escolas para conscientização sobre os direitos de crianças e adolescentes, mecanismos de proteção e canais de denúncia e ajuda.

O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e recebeu parecer favorável da senadora Leila Barros (PDT-DF) na Comissão de Educação (CE).

A proposta surgiu a partir de diligência externa realizada em Roraima, que acordos de relatos de abusos, exploração sexual e outras violações contra crianças e adolescentes, além de falhas na articulação dos órgãos de proteção.

O olhar destaca ainda dados do Atlas da Violência de 2025, que apontam aumento dos registros de violência contra crianças e adolescentes, reforçando o papel das escolas na prevenção e enfrentamento dessas situações.