SAÚDE PÚBLICA

Projeto garante dieta cetogênica pelo SUS a pacientes com epilepsia resistente a medicamentos

Proposta está em análise na Câmara dos Deputados

Publicado em 05/05/2026 às 08:45
Proposta prevê oferta de dieta cetogênica pelo SUS para pacientes com epilepsia resistente. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Projeto de Lei 532/26, de autoria do deputado Dr. Jaziel (PL-CE), propõe a inclusão da dieta cetogênica como estratégia de tratamento para pacientes com epilepsia refratária no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a proposta está em análise na Câmara dos Deputados.

A dieta cetogênica consiste em um plano nutricional baseado em alimentos com alto teor de gordura, ingestão controlada de proteínas e restrição de carboidratos. Esse método pode contribuir para a redução da frequência e da intensidade das crises epilépticas.

A epilepsia refratária é caracterizada por crises que persistem mesmo após o uso de dois ou mais medicamentos, podendo causar recorrência, prejuízos cognitivos e funcionais, além de impacto nas relações sociais.

Segundo o autor do projeto, a iniciativa visa suprir uma lacuna normativa e estabelecer diretrizes nacionais para a incorporação regulada e segura desse tratamento.

“Apesar desse reconhecimento técnico, a ausência de previsão normativa nacional que assegure acesso estruturado a essa terapia no âmbito do Sistema Único de Saúde gera desigualdade regional e impede a efetiva universalização do tratamento, sobretudo para famílias em situação de vulnerabilidade econômica”, destaca o parlamentar.

Garantia e prioridade de acesso

O acesso à dieta cetogênica dependerá de avaliação multiprofissional e prescrição médica. O projeto prevê ainda acompanhamento nutricional contínuo, monitoramento clínico e laboratorial, orientação familiar e educacional, além do fornecimento dos insumos necessários à terapia.

Crianças e adolescentes, pacientes com epilepsia resistente a medicamentos e portadores de síndromes epilépticas reconhecidas em protocolos clínicos nacionais terão prioridade de acesso ao serviço.

De acordo com a proposta, caberá ao Ministério da Saúde definir critérios de elegibilidade clínica, protocolos terapêuticos, padrões de financiamento, habilitação de centros de referência e capacitação das equipes multiprofissionais.

Próximas etapas

O projeto tramita em caráter conclusivo e será avaliado pelas Comissões de Saúde; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para que a proposta se torne lei, ela precisa ser aprovada tanto pelos deputados quanto pelos senadores.