Comissão aprova projeto que amplia acessibilidade digital de pessoas com deficiência
Proposta estabelece novas regras para garantir recursos de acessibilidade em sites, jogos eletrônicos e serviços de streaming.
A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia os recursos de acessibilidade na internet e em jogos eletrônicos para pessoas com deficiência.
medidas
Dentre os pontos previstos, destacam-se:
- Fornecedores de jogos eletrônicos deverão garantir, sempre que possível, o pleno acesso de pessoas com deficiência;
- Os sites governamentais terão que adotar medidas como audiodescrição de vídeos e tradução para Libras;
- As transmissões de vídeo pela internet, incluindo videoconferências, deverão permitir legendas fechadas ( closed caption ) em tempo real, janela para intérprete de Libras e oferecer opção de canal de áudio separado para audiodescrição, configurável pelo usuário;
- Os serviços de streaming e conteúdos audiovisuais online terão prazo máximo de dez anos para implementar todos os requisitos de acessibilidade.
Texto consolidado
Por recomendação do relator, deputado David Soares (Pode-SP), foi aprovado o substitutivo anteriormente acatado na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência ao PL 3503/19 , de autoria da deputada Maria Rosas (Republicanos-SP). O substitutivo reúne o texto original e projetos apensados, consolidando diferentes iniciativas em um único documento.
Segundo Soares, a medida evita a "fragmentação normativa" e aprimora a técnica legislativa, ao apresentar soluções tecnologicamente neutras e mecanismos de implementação progressiva.
O relator destacou que a proposta fortalece o direito à acessibilidade digital como “dimensão indispensável da cidadania”. “Vivemos uma era em que o ambiente virtual é componente natural da vida cotidiana — educação, trabalho, cultura, lazer e serviços públicos se entrelaçam com tecnologias digitais. Se não legislarmos agora, corremos o risco de perpetuar exclusões invisíveis, especialmente para milhões de brasileiros que carecem de recursos acessíveis para exercer sua plena participação no mundo digital”, afirmou.
Conselho consultivo
O projeto também prevê a possibilidade de o governo criar um conselho consultivo para monitorar e aperfeiçoar os serviços de acessibilidade digital. Esse conselho seria coordenado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e composto por representantes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil. As novas regras serão incorporadas ao Estatuto da Pessoa com Deficiência .
Transmissão
O projeto segue em caráter conclusivo para análise nas comissões de Comunicação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para mudar a lei, ainda precisa ser aprovado pela Câmara, pelo Senado e sancionado pela Presidência da República.