MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Especialistas defendem integração dos órgãos de meteorologia para enfrentar mudanças climáticas

Audiência na Câmara debate criação de órgão coordenador e fortalecimento da cooperação entre instituições públicas e privadas

Publicado em 10/04/2026 às 16:09
Especialistas propõem integração de órgãos de meteorologia para enfrentar mudanças climáticas no Brasil. Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Em audiência pública na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, especialistas defenderam a integração dos órgãos de meteorologia como estratégia essencial para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Coordenação nacional
O professor Pedro Leite da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), sugeriu a criação de um órgão específico para coordenar as atividades internas no Brasil. Segundo ele, atualmente, além dos órgãos federais, diversas instituições municipais e privadas também atuam na previsão do tempo e do clima, o que demanda maior articulação.

O coordenador-geral do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Luiz André Rodrigues dos Santos, destacou que o instituto vem intensificando parcerias, especialmente com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Buscamos atuar conjuntamente com as diversas entidades que fazem meteorologia no país. No ano passado, firmamos um acordo de cooperação técnica com o Inpe. Com isso, podemos compartilhar informações sobre modelagem, satélites e dados meteorológicos e oferecer dados mais consistentes no país", afirmou.

Segundo Santos, o Inmet também trabalha para estabelecer acordo de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ampliando a integração de dados e esforços.

Política nacional
A deputada Erika Kokay (PT-DF), autora do pedido para a realização do debate, anunciou que irá discutir a criação de uma política nacional de meteorologia, com o objetivo de promover a integração entre os órgãos do setor. "Estamos à disposição para receber sugestões dos órgãos, do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Agricultura, do Inpe, do Inmet e da academia. Queremos elaborar uma proposta inicial e realizar nova audiência pública para finalizar o texto e protocolar na Câmara dos Deputados", explicou.

Cooperação com o setor privado
O professor Pedro Leite também defendeu a ampliação da cooperação com o setor privado, ressaltando que o Estado deve manter o protagonismo. Ele lembrou que, atualmente, entre 60% e 70% dos formados em meteorologia atuam em empresas privadas, cenário oposto ao início dos anos 2000, quando predominava a presença no setor público e acadêmico.

Nessas empresas, os profissionais aplicam informações prejudiciais em atividades econômicas, como agrícola e de mercado financeiro. Apesar do crescimento do setor privado, Leite enfatizou que o Inmet continua essencial para garantir a qualidade dos dados. "Hoje há mais dados coletados pela iniciativa privada, mas há problemas de controle de qualidade. O Inmet tem papel importante nisso. A integração com o setor privado deve ocorrer sem perda da liderança do Estado", apontou.

O coordenador do Inmet acrescentou que o órgão também busca parcerias com empresas privadas e estudantis, junto ao Ministério da Agricultura, formas de integrar dados dessas empresas, que já podem superar a rede governamental em volume, mas ainda não são acessadas pelo instituto.