MEIO AMBIENTE

Elefante-marinho encontrado morto em Jequiá da Praia pode ter sido vítima de ação humana

Necropsia aponta traumatismo compatível com instrumento contundente; investigação apura possível crime ambiental.

Por Mary Landim – Ascom IMA/AL Publicado em 02/04/2026 às 15:32
Elefante-marinho Leôncio foi encontrado morto em Jequiá da Praia; suspeita é de ação humana. Ascom IMA

O elefante-marinho encontrado morto na última terça-feira (31), em Jequiá da Praia, apresentava traumatismo crânio-facial e fratura completa no osso da face, na região da bochecha. Segundo laudo de necropsia, as lesões têm características compatíveis com impacto por instrumento contundente.

Os votos apontam para a ação humana possível, podendo configurar o crime ambiental contra a fauna, conforme a Lei nº 9.605/98.

O animal, apelidado de Leôncio, vinha sendo acompanhado por um grupo de monitoramento durante sua passagem pela costa alagoana. A presença do elefante-marinho chamou a atenção de especialistas e moradores, por se tratar de uma ocorrência rara no litoral do estado.

Leôncio foi visto pela última vez por volta das 17h do dia 27 de março, na praia da Lagoa Azeda, em Jequiá da Praia. Dias depois, em 31 de março, a morte de um animal da mesma espécie foi confirmada na mesma região.

"Estamos muito tristes. Leôncio foi um visitante da nossa costa e mobilizou tanto a população quanto as equipes técnicas envolvidas no seu monitoramento", afirmou a médica veterinária e consultora do IMA/AL, Ana Cecília Pires.

A veterinária explicou que o animal estava em processo natural de muda de pele e pelos, período em que necessita de restauração. “Infelizmente, ocorreram situações de estresse causadas pela proximidade de pessoas, o que fazia com que ele retornasse ao mar, prejudicando esse processo”, completou.

O diretor executivo do IMA/AL, Ivens Leão, destacou que o órgão atuou de forma contínua no monitoramento do animal, direcionando o planejamento técnico voltado para a segurança e ao bem-estar da espécie.

“Seguimos empenhados em contribuir com as investigações, para que, caso a ação humana seja confirmada, os responsáveis ​​sejam devidamente responsabilizados”, afirmou.

O grupo de monitoramento é composto por médicos veterinários e biólogos, com atuação integrada do Instituto Biota, Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Batalhão de Polícia Ambiental (BPA).