JUSTIÇA

Três militares do 'núcleo de desinformação' da trama golpista são presos pelo Exército

Prisões ocorrem após STF determinar início imediato do cumprimento das penas a condenados por fake news e ataques à Justiça Eleitoral

Publicado em 10/04/2026 às 11:12
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Exército prendeu, nesta sexta-feira (10), três dos sete militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado núcleo 4 da trama golpista , grupo acusado de disseminar desinformação nas redes sociais e atacar a Justiça Eleitoral para tentar viabilizar um golpe de Estado. As prisões foram executadas após o STF declarar o trânsito em julgado das condenações, ou seja, sem possibilidade de novos recursos, o que levou o ministro Alexandre de Moraes a determinar o início imediato do cumprimento das penas.

Foram presos por volta das 6h o major da reserva Ângelo Denicoli, condenado a 17 anos de prisão; o subtenente Giancarlo Rodrigues, condenado a 14 anos; e o tenente-coronel Guilherme Almeida, condenado a 13 anos e 6 meses.

O jornal Tribuna do Sertão mantém espaço aberto para manifestação das defesas dos condenados.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os Réus utilizaram a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar adversários políticos e produzir e divulgar informações falsas contra o processo eleitoral, instituições democráticas e autoridades consideradas obstáculos ao plano golpista.

Além dos presos nesta sexta-feira, também foram condenados no núcleo 4, em 21 de outubro do ano passado, outros quatro réus: o coronel Reginaldo Abreu (15 anos e 6 meses de prisão), que está foragido nos Estados Unidos; o agente da Polícia Federal Marcelo Bormevet (14 anos e 6 meses de prisão); o ex-major Ailton Moraes Barros (13 anos e 6 meses de prisão); e o presidente do Instituto Voto Legal, Carlos César Moretzsohn Rocha (7 anos e 6 meses de prisão), foragido no Reino Unido.

Em 24 de março, a Primeira Turma do STF rejeitou por unanimidade os recursos de defesa dos sete réus. Para os ministros, ficou comprovado que o grupo criou e incluiu notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e o Poder Judiciário, com o objetivo de promover instabilidade política e aplicar medidas de exceção.

Também foi reconhecido o uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para produção de fake news e monitoramento clandestino de autoridades, no episódio que ficou conhecido como "Abin Paralela".

Os militares e os policiais federais foram condenados por todos os cinco crimes denunciados: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático, orientações de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Outro efeito da publicação é a perda das cargas públicas e a inelegibilidade dos réus por oito anos, a contar da decisão, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa.