JUSTIÇA ELEITORAL

Nunes Marques será definido como novo presidente do TSE na próxima semana

Ministra Cármen Lúcia antecipa eleição para garantir transição tranquila antes das eleições municipais de outubro

Publicado em 09/04/2026 às 15:54
Nunes Marques Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, anunciou nesta quinta-feira (9) que antecipará sua saída do comando da Justiça Eleitoral. Segundo a magistrada, na próxima terça-feira (14), a Corte terá a eleição que definirá Kassio Nunes Marques como presidente e André Mendonça como vice-presidente do tribunal.

A decisão de antecipar a votação e o processo de transição foi motivado pelo calendário das eleições deste ano, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

“Eu teria até o dia 3 de junho deste ano para, honrosamente, continuar presidente deste TSE. E, ao ministro Kassio Nunes Marques, sucessor natural da cadeira, e adicionalmente com o ministro André Mendonça, sobrariam pouco mais de 100 dias para o desempenho na direção das eleições até 4 de outubro de 2026”, afirmou Cármen Lúcia.

“Por isso, decidi que, ao invés de deixar para o último dia de mandato a sucessão na presidência deste tribunal, anteciparei o procedimento para a eleição dos novos dirigentes da Casa e o processo de transição, buscando equilíbrio e tranquilidade para quem conduzirá a Justiça Eleitoral brasileira e o processo eleitoral de outubro de 2026”, completou.

O TSE é composto por sete juízes: três do Supremo Tribunal Federal (STF), dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois juristas da advocacia. A presidência e a vice-presidência são ocupadas exclusivamente por ministros do STF, em sistema rotativo semelhante ao adotado na Suprema Corte.

Esta será a primeira vez que dois ministros indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — declarado inelegível até 2030 pelo TSE — irão simultaneamente no comando da Corte. O ministro Dias Toffoli também passará a integrar o tribunal, ocupando a terceira vaga designada ao STF.

De acordo com informações do Estadão , Nunes Marques deverá assumir a presidência do TSE com o objetivo de despolarizar o debate político no País. Outro foco será fortalecer a confiança nas urnas eletrônicas. Por ter sido indicado por Bolsonaro, principal propagador de dúvidas sobre o sistema de votação, a palavra do ministro pode ter peso adicional junto à direita.

Nunes Marques também pretende ampliar a divulgação de uma norma já vigente, que obriga a Justiça Eleitoral a publicar na internet o resultado de cada urna no dia da eleição. Assim, qualquer eleitor pode, com um celular, comparar os dados enviados ao TSE com o boletim de urna afixado nos eleitorais.

O objetivo do futuro presidente é estimular a política autorizada do TSE e direcionar o debate para as propostas dos candidatos.