Rede reage com 'indignação' à permanência de Marina e a acusa de não dialogar com o partido
Direção nacional critica decisão de Marina Silva de permanecer na Rede, aponta falta de diálogo e acusa grupo ligado à deputada de tentar paralisar a legenda.
O diretório nacional da Rede Sustentabilidade reagiu com críticas contundentes à decisão da deputada federal Marina Silva de permanecer no partido que ajudou a fundar. Em nota divulgada nesta terça-feira (7), a legenda afirmou ter recebido o anúncio com "indignação e perplexidade", acusando a ex-ministra de se recusar a dialogar com a direção partidária.
No último sábado (4), data final da janela partidária, Marina comunicou sua permanência na Rede. Ela destacou o desejo de trabalhar pela "restauração dos princípios e valores" da sigla, citando o manifesto de fundação como base para sua decisão.
Na mesma manifestação, Marina declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, além de formalizar sua candidatura ao Senado pela federação liderada pelo PSOL, ao lado de Simone Tebet (PSB). Também anunciou a intenção de fortalecer alianças com PT, PSB, PV, PDT e PCdoB, legendas que, segundo ela, "não se deixam capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo".
A resposta do diretório nacional, assinada no domingo (5) e divulgada dois dias depois, foi direta: "As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita", diz o comunicado. O partido negou ter expulsado ou perseguido qualquer filiado e ressaltou que jamais aplicou sanções a Marina, mesmo em momentos de divergência aberta — como seu apoio à candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) em 2014, a defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018.
"Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna", afirma o texto, que acusa o grupo de Marina de tentar paralisar o partido, judicializar impasses políticos e bloquear suas contas.
A legenda ainda acusou o grupo ligado à deputada de praticar lawfare — termo usado para descrever o uso do sistema judicial como instrumento de disputa política, com o objetivo de enfraquecer adversários por meio de processos judiciais e litigância, em vez do debate político convencional.
A Rede citou "centenas de ações" movidas contra a direção como exemplo dessa prática e rebateu a tese de que o 5º Congresso Nacional da sigla teria sido anulado pela Justiça. Segundo o partido, a maior parte das ações foi rejeitada e a atual direção segue reconhecida, "inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição".
A nota negou que a saída recente de mandatários represente perseguição e destacou a chegada dos deputados André Janones (MG) e Luizianne Lins (CE) como sinal de crescimento orgânico da sigla. "Houve uma tentativa frustrada de esvaziamento eleitoral, que não prosperou", afirma o comunicado.
Em relação a 2026, o partido declarou que as decisões sobre apoios e candidaturas "serão tomadas no âmbito do partido com diálogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferências externas". Acrescentou ainda que "divergências devem ser enfrentadas pelas vias estatutárias, com debate franco e leal". Ao final, o diretório reafirmou apoio a Lula e Haddad e afirmou que todos os que desejarem fortalecer eleitoralmente a sigla são bem-vindos, desde que respeitadas "as regras partidárias e do bom convívio".