REGULAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO

Regras para uso de postes por empresas de energia e teles vão à Câmara

Publicado em 08/04/2026 às 12:12
Alisson Frazão/Arquivo

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou em turno suplementar, nesta quarta-feira (8), projeto cria regras para o compartilhamento de postes entre empresas de energia elétrica e de telecomunicações.

O PL 3.220/2019, de autoria do senador Weverton (PDT-MA), foi aprovado em primeiro turno em março, na forma de substitutivo apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC).

Nesta quarta-feira, o relator acatou emenda apresentada pelo senador Eduardo Gomes (PL-TO). A emenda estabelece que o valor máximo provisório pelo uso compartilhado de postes, a ser definido pelo Poder Executivo durante o período de regularização, terá validade até a definição do valor definitivo pela Aneel.




“A iniciativa do autor da emenda (...) confere maior clareza e racionalidade ao regime de transição aplicável ao compartilhamento de postes”, afirmou o relator.




Como foi apresentada nova emenda entre a primeira análise e o turno suplementar, o projeto foi novamente deliberado pelo colegiado.

Responsabilidade

O projeto aprovado define que a responsabilidade pela gestão dos postes será da empresa de energia elétrica, dona da estrutura. Outras empresas interessadas em usar os postes deverão firmar contrato com essa empresa.

A matéria segue para a Câmara, salvo se houver recurso para análise pelo Plenário do Senado.

Caso aprovada, a nova lei entrará em vigor 180 dias após a sua publicação.

Agências reguladoras 

A proposta prevê as competências e responsabilidades das duas agências reguladoras, Aneel e Anatel, no compartilhamento de postes.

Entre as competências e responsabilidades da Aneel, estão:


definir a parcela da infraestrutura física aérea de distribuição de energia elétrica a ser compartilhada;

estabelecer as obrigações dos envolvidos no compartilhamento;

determinar o valor máximo a ser cobrado pelo compartilhamento;

estabelecer diretrizes para o preço, como incentivo à concorrência, uso eficiente da infraestrutura e remuneração adequada do titular;

regulamentar a contratação de terceiros para gestão ou exploração da infraestrutura;

determinar a cessão do direito de exploração em caso de gestão inadequada;

definir regras, prazos e prioridades para a regularização dos espaços compartilhados;

estabelecer parâmetros técnicos, operacionais e econômicos para o compartilhamento;

fiscalizar concessões e permissões, inclusive por meio de convênios com órgãos municipais ou consórcios públicos.


Caberá à Anatel, segundo o projeto:


estabelecer termos técnicos e operacionais complementares à ocupação da infraestrutura;

garantir isonomia no acesso;

fomentar a concorrência entre os interessados;

sugerir à Aneel metodologias para cálculo do valor máximo do compartilhamento;

recomendar à Aneel a cessão do direito de exploração em caso de gestão inadequada;

participar da definição das regras de regularização dos espaços compartilhados;

fiscalizar concessões, permissões e autorizações dos serviços de telecomunicações, diretamente ou por meio de convênios com órgãos estaduais, municipais ou consórcios públicos.


Sanções

O projeto classifica como infração grave o uso do poste por prestadora de serviços de telecomunicação sem contrato com a titular da estrutura. Nesse caso, poderá ser declarada a caducidade do serviço (fim do contrato de concessão, autorização ou permissão) como sanção.

Recursos do Fiis

Em atendimento a uma sugestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), o relator já havia incluído no substitutivo uma alteração na Lei 14.947, de 2024, autorizando o Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) a destinar recursos para infraestrutura de redes aéreas e subterrâneas compartilhadas de serviços essenciais, incluindo distribuição de energia elétrica, telecomunicações, iluminação pública e sistemas de videomonitoramento urbano.

O Fiis é constituído por recursos do Orçamento da União, além de convênios com órgãos públicos e empréstimos de instituições financeiras. Atualmente a lei que rege o Fiis prevê a aplicação dos recursos nas áreas de educação, saúde e segurança pública.