Rodrigo Cunha herda bomba previdenciária de quase R$ 300 milhões deixada pela gestão JHC
Déficit no fundo de previdência de Maceió expõe o tamanho do passivo recebido pelo novo prefeito e amplia pressão por explicações sobre investimentos ligados ao Banco Master
Rodrigo Cunha mal assumiu a Prefeitura de Maceió e já se vê diante de uma herança explosiva: um déficit de R$ 299,4 milhões no fundo de previdência do município. O rombo, associado aos investimentos realizados em letras financeiras do Banco Master, coloca a capital alagoana no centro de um dos episódios mais graves da gestão que se encerrou.
O dado, atribuído ao sistema Cadprev, do Ministério da Previdência Social, joga por terra qualquer tentativa de tratar o caso como detalhe técnico ou questão secundária. Não se trata de simples oscilação contábil. Trata-se de um passivo milionário que recai sobre um setor sensível, diretamente ligado à segurança de aposentados e pensionistas do município.
A bomba caiu no colo de Rodrigo Cunha no exato momento em que ele assume o cargo prometendo continuidade administrativa e reverenciando o legado do antecessor. Mas a realidade impõe outro enredo: além da liturgia da posse e do discurso político, o novo prefeito passa a administrar uma cidade com um problema previdenciário de grandes proporções, cujo impacto político e financeiro tende a se arrastar por muito tempo.
O caso se torna ainda mais grave porque Maceió aparece, segundo o levantamento, com o maior déficit entre 15 cidades brasileiras que realizaram esse tipo de aplicação. Ou seja: a capital alagoana não surge apenas entre os municípios atingidos. Surge na dianteira negativa de um ranking que nenhum gestor gostaria de herdar.
A constatação é devastadora para o grupo político que comandava a cidade até dias atrás. Enquanto a propaganda oficial exaltava crescimento, modernização e sucesso administrativo, nos bastidores se acumulava um rombo bilionário em potencial moral e milionário na prática, exatamente numa área que deveria ser tratada com máxima cautela. Previdência não é terreno para aventura, improviso ou aposta. É compromisso com quem passou a vida trabalhando e contribuindo.
O episódio também aprofunda os questionamentos sobre a gestão dos recursos do fundo previdenciário e sobre a responsabilidade de quem autorizou, conduziu ou avalizou operações dessa natureza. A sociedade espera agora mais do que silêncio institucional ou notas burocráticas. Espera esclarecimentos, transparência e, se for o caso, responsabilização.
Rodrigo Cunha assume, portanto, não apenas a cadeira de prefeito, mas também o peso de uma herança incômoda, perigosa e politicamente tóxica. Se de um lado ele tenta se apresentar como continuador de um ciclo, de outro recebe um abacaxi fiscal que ameaça contaminar o início da própria gestão.
O rombo na previdência municipal tende a se transformar em um dos primeiros grandes testes do novo prefeito. E a pergunta que já circula nos bastidores é inevitável: Rodrigo vai apenas administrar o problema herdado ou terá coragem de abrir a caixa-preta de vez?
Porque, diante de quase R$ 300 milhões de déficit, já não há espaço para discurso de transição suave. O que existe é uma bomba previdenciária armada no coração da administração municipal — e que agora cobra resposta urgente.