BASTIDORES DA POLÍTICA

Ruptura e Risco: Kelmann Vieira troca MDB pelo PSDB e desafia Justiça Eleitoral

Sem carta de anuência, vereador oficializa apoio a JHC e pode enfrentar processo por infidelidade partidária e perda de mandato

Por Redação Publicado em 07/04/2026 às 09:36
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O cenário político da capital alagoana sofreu uma forte sacudida nesta segunda-feira (06). Após dias de silêncio e especulações, o vereador Kelmann Vieira confirmou oficialmente sua saída do MDB para se filiar ao PSDB. O movimento, no entanto, carrega uma alta carga de risco jurídico: a transição foi feita sem a carta de anuência de sua antiga legenda, o que abre brecha para um processo de infidelidade partidária.

Pelas regras eleitorais, o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar. Ao migrar sem o consentimento formal do MDB, Kelmann entra em rota de colisão com a Justiça Eleitoral, podendo ter o cargo reivindicado pelos emedebistas na Câmara Municipal de Maceió.

Decepção e "Decisão de Vida"

Através de suas redes sociais, o parlamentar não poupou críticas à cúpula do MDB. Ele expressou profunda decepção após ter o pedido de liberação oficial negado pela legenda. Kelmann classificou a mudança como a "decisão de sua vida", alegando falta de espaço para seus projetos no antigo ninho político.

"Quem tem medo das consequências das próprias escolhas não precisa de prisão... já vive trancado dentro de si", afirmou o vereador, sinalizando estar pronto para a batalha nos tribunais.

Aliança Estratégica para 2026

A filiação ao PSDB não é apenas uma troca de sigla, mas um reforço estratégico para o grupo do prefeito JHC. Kelmann já se refere ao atual gestor da capital como "futuro governador", consolidando um bloco de apoio robusto visando a disputa estadual de outubro de 2026.

Segundo o parlamentar, o anúncio da aliança foi planejado em conjunto com o prefeito para ocorrer estrategicamente nesta segunda-feira.

O Embate Jurídico

Especialistas apontam que a saída em pleno ano de eleições gerais coloca Kelmann em uma posição vulnerável. O MDB, agora na oposição ao projeto do vereador, tem o direito legal de solicitar a vaga na Câmara.

Apesar da ameaça real de perder o mandato, Kelmann Vieira demonstra intransigência em sua nova rota, afirmando que prioriza o que chama de "bem de Alagoas" acima da própria permanência no cargo. O caso agora deve seguir para os trâmites jurídicos, onde a defesa do vereador tentará provar justa causa para a desfiliação.