DIREITO & JUSTIÇA

Avança proposta que altera contagem da prescrição em casos de assédio sexual

CCJ aprova projeto que muda início do prazo de prescrição para crimes de assédio sexual, ampliando proteção às vítimas.

Publicado em 18/03/2026 às 15:05
Avança proposta que altera contagem da prescrição em casos de assédio sexual Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

Os crimes de assédio sexual poderão ter a suspensão do prazo de prescrição alterado, conforme projeto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (18). O PL 5.994/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), recebeu parecer favorável, com emenda do senador Fabiano Contarato (PT-ES). Caso não haja recurso para votação em Plenário, o texto seguirá para a Câmara dos Deputados.

A proposta modifica o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940) para determinar que o prazo de prescrição do crime de assédio sexual passe a ser contado apenas a partir do momento em que cessar a condição de superior hierárquico ou outra forma de ascendência do agressor sobre a vítima, exceto se antes disso já houver ação penal proposta.

Originalmente, o projeto prévio que a prescrição só começaria após o término do “vínculo laboral”. No entanto, o relator atualmente o termo impreciso e excludente, já que, conforme o Código Penal, não é necessário vínculo empregatício formal para a configuração do assédio sexual, bastando existir relação de poder. A alteração do alcance da norma e inclui situações envolvendo estagiários, estudantes, terceirizados e outros.

De acordo com a senadora Ana Paula Lobato, a proposta garante às vítimas o tempo necessário para a realização de provas e formalizar a denúncia, sem o risco de perder o direito à ação penal devido à prescrição. “Essa alteração permitirá que a vítima tenha todo o tempo necessário para comprovar o assédio, sem se preocupar com a prescrição, e evitará possíveis retaliações” , destaca na justificativa do projeto.

Para o relator Fabiano Contarato, a iniciativa de confirmar que a dependência hierárquica e o medo de retaliação podem impedir uma denúncia durante a relação com o agressor. Segundo ele, a mudança na legislação aumenta a efetividade do processo e amplia a proteção às vítimas.