'Não podia deixar aquelas pessoas morrerem', diz comandante atacado em voo para Israel
Machchhar contou a Modi detalhes do incidente com copiloto
O comandante da Flydubai Smit Machchhar, alvo de uma agressão de seu copiloto durante um voo dos Emirados Árabes para Israel nesta semana, afirmou nesta sexta-feira (2) que "não podia deixar todas aquelas pessoas morrerem".
A declaração foi dada através de uma videochamada realizada no hospital onde se recupera dos ferimentos ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
"Eu estava tão ferido, que fui derrubado. Naquele momento, senti que a aeronave estava caindo. Sabia que aquela seria minha última tentativa, que a porta estava logo ali", disse o piloto indiano, que abriu a porta da cabine em meio às agressões do copiloto omani, o qual, segundo relatos, usava um canivete para atacá-lo.
"Eu continuava sendo agredido, mas consegui abrir a porta e todos entraram", explicou Machchhar, que com a ajuda de membros da tripulação e de alguns passageiros para conter o agressor, conseguiu aterrissar o avião em segurança na Arábia Saudita.
"Estava lutando pela minha vida. Percebi que, se não demonstrasse coragem, 170 passageiros seriam mortos", relatou o piloto, contando a Modi que, durante a situação crítica, recitou uma oração devocional hindu dedicada à divindade Hanuman.
Modi destacou ao comandante que "sua coragem, paciência e rapidez na tomada de decisões salvaram a vida de muitas pessoas" e que todo o país se orgulha dele.
Machchhar foi inicialmente levado a um hospital em Tabuk, na Arábia Saudita, e depois transferido para Abu Dhabi, onde se encontra em estado estável. Ele possui 17 anos de experiência na aviação, sendo 11 deles como comandante.
Na quarta-feira (30), o voo da FlyDubay que seguia de Dubai para Tel Aviv foi desviado para a Arábia Saudita após uma briga física envolvendo os pilotos.
Durante o voo, o avião transmitiu inicialmente o código de emergência 7700, utilizado para indicar uma situação de emergência geral. Em seguida, o transponder passou a emitir o código 7500, associado a suspeita de sequestro ou interferência ilegal na aeronave. Pouco depois, o código voltou a 7700.
A sequência de sinais provocou uma resposta de segurança em Israel. De acordo com autoridades israelenses, caças da Força Aérea foram acionados diante da possibilidade de uma ameaça à aeronave, que chegou a perder cerca de 14 mil pés de altitude em menos de 30 segundos durante o episódio, antes de seguir para o pouso em Tabuk.
Ontem, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto proveniente de Omã havia sido "radicalizado" e aparentava ter intenção de provocar a queda da aeronave.