Suspensão de atendimentos na embaixada dos EUA é motivada por ameaça de ataque
Eleições no Brasil e tensão política influenciam medidas de segurança das representações diplomáticas.
Os Estados Unidos suspenderam na sexta-feira (2) os atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados no Brasil, orientando seus funcionários a trabalharem remotamente. A medida teria sido motivada por uma suposta "ameaça de ataque terrorista" divulgada na Internet contra instalações diplomáticas norte-americanas no país.
Para o analista internacional de um portal de notícias no Brasil, Lourival Sant'Anna, o contexto eleitoral brasileiro pode ter contribuído para a adoção de protocolos de segurança mais rígidos. Segundo o analista, eleições marcadas por elevada tensão política costumam levar representações diplomáticas a reforçar medidas preventivas.
Sant'Anna destacou que o ambiente político recente inclui fatores considerados sensíveis, como a contestação dos resultados eleitorais em 2023, episódios de violência em Brasília, como o 8 de Janeiro, e acusações do governo brasileiro de supostas tentativas de interferência norte-americana no processo eleitoral. Na avaliação dele, esse cenário pode aumentar o risco de manifestações hostis ou ações violentas direcionadas aos Estados Unidos.
O analista também relacionou os alertas emitidos por Austrália e Reino Unido aos mecanismos de cooperação entre países que integram a aliança de inteligência conhecida como Cinco Olhos, formada ainda por Canadá e Nova Zelândia, o que explica a preocupação coletiva demonstrada pelos governos aliados de Washington.
A analista Fernanda Magnotta também afirmou à rede de notícias que o fechamento temporário de embaixadas e consulados antes de eleições não é incomum, especialmente em sociedades polarizadas. Como exemplo, ela citou a suspensão de serviços consulares norte-americanos na Turquia, em 2020, após "relatos considerados críveis sobre possíveis atentados e sequestros contra cidadãos norte-americanos e outros estrangeiros".
Já o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, descartou a possibilidade de uma intervenção direta do governo norte-americano no país. "O que pode haver são ameaças de sanções, de coerção, mas nada mais grave do que isso", afirmou Barbosa.
Ainda de acordo com Sant'Anna, segundo sua apuração, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não identificou indícios de ações contra instalações norte-americanas no campo da segurança cibernética. De acordo com o analista, o órgão acompanha os desdobramentos políticos e diplomáticos relacionados aos Estados Unidos, mas não encontrou evidências concretas de ameaças digitais às representações do país no Brasil.