ASTRONOMIA

Descoberta sobre buracos negros pode explicar fim da formação de estrelas em galáxias

Pesquisadores identificam como jatos de plasma afetam a evolução galáctica, incluindo a Via Láctea.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/10/2026 às 12:47
Ilustração mostrando jatos de plasma de um buraco negro supermassivo e seu impacto na formação de estrelas. © Foto / Robert Lea (created with Canva)

Cientistas descobriram que jatos de plasma emitidos por buracos negros supermassivos podem interromper a formação de estrelas ao perturbar o gás que alimenta as galáxias. O mecanismo ajuda a explicar por que sistemas como a Via Láctea deixam de produzir novas estrelas, influenciando na evolução galáctica.

Cientistas identificaram como os jatos de plasma emitidos por buracos negros supermassivos podem determinar o fim da formação de estrelas em suas galáxias hospedeiras. A descoberta ajuda a responder uma antiga questão da astronomia sobre o porquê de muitas galáxias deixarem de produzir novas estrelas.

Ilustração de um buraco negro supermassivo no centro de uma radiogaláxia lançando jatos poderosos que se estendem até o meio circum-galáctico da galáxia
Ilustração de um buraco negro supermassivo no centro de uma radiogaláxia lançando jatos poderosos que se estendem até o meio circum-galáctico da galáxia

Grandes galáxias, como a Via Láctea, são envolvidas por vastos reservatórios de gás e poeira chamados meio circum-galáctico. Esse material funciona como combustível para a formação estelar, mas, em algum momento da evolução galáctica, algo impede que ele esfrie e se concentre para gerar novas estrelas.

Segundo o estudo, buracos negros supermassivos em fase de alimentação lançam jatos de plasma que se estendem muito além do centro e das bordas das galáxias que, ao atravessarem o meio circum-galáctico, perturbam o gás disponível, afetando diretamente a capacidade de formação estelar e a evolução das galáxias.

Os pesquisadores analisaram centenas de galáxias com buracos negros ativos usando dados dos levantamentos espectrográficos do DESI e LoTSS e identificaram regiões ao longo dos jatos onde o gás ionizado brilha intensamente, sinal de colisões entre o plasma e nuvens de gás ao redor das galáxias.

Os resultados indicam que os jatos não distribuem energia de maneira uniforme, enquanto o efeito mais intenso ocorre próximo às bordas externas das galáxias e do meio circum-galáctico, regiões onde o plasma transfere a maior parte de sua energia ao material ao redor.

Essa interação perturba justamente o gás que poderia originar novas estrelas, dificultando sua condensação e interrompendo o ciclo de formação estelar, o que ajuda a explicar como determinadas galáxias acabam deixando de produzir estrelas e entram em um estágio de declínio.

Além de esclarecer a influência dos buracos negros sobre suas galáxias, a pesquisa demonstra ainda que objetos relativamente pequenos em escala galáctica podem afetar regiões que se estendem por centenas de milhares de anos-luz, o que nos oferece uma nova forma de medir o impacto dos jatos de buracos negros na evolução das galáxias.


Por Sputinik Brasil