Protestos no Quênia contra centro norte-americano de ebola
População local levanta preocupações sobre interesses estrangeiros e soberania nacional.
No Quênia, a população em massa protestou contra a instalação de um centro norte-americano contra o ebola no país, levantando questões sobre soberania nacional, saúde pública e os interesses que o projeto visa atender.
Uma das razões para a insatisfação foi a crença de que o centro teria como principal objetivo servir aos interesses dos EUA e tratar pacientes estrangeiros, em vez de proteger as comunidades locais.
O episódio de centro de ebola no Quênia sinaliza que a ingerência do neoimperialismo dos EUA chegou ao continente africano, segundo aponta Gustavo de Andrade Durão, professor adjunto na Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Ele afirma que o caso é um exemplo de como as relações neocoloniais firmadas pelos EUA com outros Estados podem resultar em acordos escusos que não chegam à grande parte da população.
Exemplo disso, aponta o especialista, é que o projeto para o centro no Quênia tinha como foco a base aérea de Laikipia, que iria receber cidadãos norte-americanos expostos ao ebola. O historiador acrescenta que, além de expor a população local ao vírus, o centro abria margem para a criação de uma instalação militar dos EUA no Quênia, o que deixaria o país exposto a uma intervenção norte-americana.
A internacionalista Natalia Fingermann destaca que a crise do ebola não está dentro do Quênia, mas na fronteira do país, abrangendo territórios de Ruanda e Uganda. Ela acrescenta que a relação desigual observada entre os países, no caso do centro para tratamento do ebola no Quênia, é recorrente nas relações internacionais, principalmente no que diz respeito à relação dos EUA com países africanos.
"Agora, por que fazem isso? Muitas vezes, isso é feito em troca de alguns benefícios privados para essas elites governantes. A gente acaba vendo que desvios de recursos que deveriam ir para fundos públicos estão indo para fundos privados. Então eu acho que esse é um dos motivos que mantém esse sistema neocolonial funcionando", pondera.