Protestos no Quênia refletem temores sobre neocolonialismo na saúde
Instalação de centro americano contra o ebola levanta questões sobre soberania e interesses locais.
No Quênia, protestos contra a instalação de um centro norte-americano de combate ao ebola colocaram em debate a soberania, a saúde pública e a presença de potências estrangeiras no continente.
Parte da população questiona se a estrutura atenderia prioritariamente as comunidades locais ou se estaria voltada aos interesses dos Estados Unidos e de pacientes estrangeiros. A disputa também chegou à Organização Mundial da Saúde (OMS), onde países africanos rejeitaram uma minuta sobre acesso a patógenos e compartilhamento de benefícios, em meio a divergências com países europeus sobre a obrigação de repartir os benefícios obtidos de recursos biológicos fornecidos pelo continente. Quem controla esses recursos e a tecnologia de saúde controla também uma parcela do poder sobre o futuro do continente? A cooperação internacional pode acabar reproduzindo relações de dependência?
Para comentar o assunto, Melina Saad e Marcelo Castilho recebem Gustavo de Andrade Durão, historiador, doutor pelo programa de história comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor adjunto na Universidade Estadual do Piauí (Uespi); e Natalia Fingermann, professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Agora disponível na Rádio Metropolitana do Rio de Janeiro, 80.5 FM.