Europa busca fortalecer presença no Ártico
Reunião na Finlândia destaca a importância geopolítica da região em meio ao degelo e rivalidade com os EUA.
Doze países europeus se reuniram na Finlândia e defenderam que a União Europeia (UE) amplie sua atuação no Ártico, região cuja importância geopolítica cresce em meio ao degelo e, sobretudo, às pressões dos Estados Unidos sobre a Groenlândia.
A especialista em Europa, Carolina Pavese, ressalta que o alerta da União Europeia é dado após anos de "uma política muito branda" em relação à participação do bloco no Ártico. Isso pode ser observado na própria classificação da região como "geopolitical hotspot" pela alta representante da UE para Política Externa e Segurança, Kaja Kallas.
Em contraste, a Rússia tem uma presença histórica no extremo norte, sendo uma região fundamental para o transporte de commodities. "Eles comeram um pouco de mosca esse tempo e agora estão, já que essa região passou a ganhar tanta atenção nessa agenda das relações internacionais, tentando correr um pouco atrás do prejuízo.".
Segundo a especialista em estudos marítimos Letícia da Luz, a política ambiental da União Europeia entra em contradição com o interesse crescente pelos recursos naturais do Ártico. Embora o bloco defenda políticas de proteção ambiental e exploração sustentável, sua própria transição energética depende de minerais críticos e terras raras presentes na região.
Mas, acima de tudo, as preocupações estariam na dimensão militar. "O primeiro objetivo é o militar e o segundo são os recursos energéticos", diz Luz, argumentando que proteger reservas e rotas de transporte contribui para justificar uma presença militar maior no Ártico.