POLÍTICA

Lula revela encontro com Trump para debater sobretaxas

Presidente afirmou que os EUA têm superávit comercial com o Brasil.

Por Sputnik Brasil Publicado em 01/10/2026 às 22:53
Lula discute temas diplomáticos em entrevista ao Podcast Flow. © Foto / Divulgação redes sociais

Em entrevista ao Podcast Flow, nesta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que houve uma reunião ontem com o presidente dos EUA, Donald Trump, para destravar os obstáculos referentes às sobretaxas estadunidenses.

"O Trump sabe que temos coisas estratégicas que ele precisa. Ainda não coloquei em prática a lei da reciprocidade, mas ele é importador de nióbio, e 60% vem aqui do Brasil", disse Lula.

Ao afirmar que está evitando impor a lei da reciprocidade para evitar conflitos, Lula destacou que não aceita mentiras a respeito do Brasil, reiterando que "ninguém vai mentir para mim", em referência às alegações de Trump sobre um déficit comercial dos EUA com o Brasil.

Dados de órgãos como o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) e estatísticas do governo norte-americano indicam que os EUA possuem, na verdade, superávit comercial com o Brasil.

O presidente caracterizou sua disputa com Trump como uma "guerra de narrativa" junto ao povo americano.

Lula também optou por não participar do último debate presidencial promovido pela TV Globo, que foi realizado no mesmo horário. Ao justificar sua ausência no podcast, ele afirmou preferir o formato de entrevistas extensas e criticou a dinâmica dos debates televisivos engessados. O debate foi cancelado após decisões judiciais.

"Tenho questionado os debates da Globo. Eu fui em todos, em 1989, em 1994 não teve debate porque a Globo defendia a eleição do Fernando Henrique Cardoso e não teve debate, assim como 1998. Quando você tem debate com cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez. Esses debates são infrutíferos e não produzem nada. Aí, o pessoal começa a fazer gracinha e quando você está num debate pela presidência da República, você está discutindo o país, é sério", explicou Lula.

Banco Master e Vorcaro

"Esse rapaz veio aqui e disse, 'estão me perseguindo politicamente'. Respondi: 'no meu governo não há perseguição política. Você está sendo investigado pelo Banco Central", afirmou. "Se a gente encontrar coisa errada, você vai pagar. Ele tinha coisa errada e fechamos o banco", acrescentou.

Lula reiterou a importância de uma investigação completa sobre todos os envolvidos com Vorcaro, que se encontra preso e é acusado de vários crimes, incluindo fraude financeira e organização criminosa.

"É preciso investigar todo mundo. Porque esse tal de Vorcaro não era apenas um ladrão, ele era mágico, porque ele envolvia todo mundo. Ele envolvia até o Luciano Huck, que aparece de vez em quando querendo ser político", revelou Lula. "Está ficando todo mundo nu dentro da sociedade. A gente descobre uma sequência de senadores, deputados, tudo com as meninas da Suíça, da Suécia, sei lá".

Flávio Bolsonaro

Sobre Flávio Bolsonaro, Lula recordou que o senador é advogado de defesa do policial militar que matou a menina Ana Clara, de 5 anos, em Niterói. Ele também mencionou a condecoração que fez para o ex-PM Adriano da Nóbrega, que está preso.

"Um senador da República que tem coragem de assinar uma petição defendendo o assassino de uma criança de cinco anos de idade, um senador que era amigo do miliciano que foi morto na Bahia [Adriano da Nóbrega], um cidadão que é ligado aos milicianos, um cidadão que tem essa relação amorosa com o Vorcaro, é um negócio que não tem sentido. Um cara desse querer ser presidente da República?", questionou.

Lulinha

Lula também reafirmou que não blindará seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", de investigações sobre possíveis envolvidos em lobby:

"Duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu [...] Ele sabe o que eu penso. Se ele não fez nada de errado ele que crie coragem e brigue como briguei", comentou. "Não vou fazer que nem o mequetrefe que disputa comigo, que o pai fica querendo proteger, não", alfinetou, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga a relação da empresária Roberta Luchsinger, Lulinha e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo.