ECONOMIA

EUA pressionam Europa por liberação de diesel e consideram restrições em exportações

Trump alerta Alemanha e França sobre necessidade de estoques emergenciais para conter preços do combustível globalmente.

Por Sputnik Brasil Publicado em 01/10/2026 às 12:43
EUA cobram diesel da Europa e avaliam restrições nas exportações do combustível. © telegram SputnikBrasil

O governo de Donald Trump pressionou Alemanha e França a liberar estoques emergenciais de diesel para conter a alta global dos combustíveis e alertou que pode restringir exportações norte-americanas do produto, segundo fontes.

De acordo com a mídia britânica, o governo de Donald Trump pressionou Alemanha e França a utilizarem seus estoques emergenciais de diesel para ajudar a conter os preços globais do combustível. Segundo fontes ouvidas pela apuração em condições de anonimato, os EUA alertaram que podem até restringir exportações de diesel caso os europeus não ampliem a oferta no mercado.

A medida ocorre enquanto a Casa Branca avalia formas de reduzir os preços dos combustíveis no mercado interno antes das eleições legislativas de meio de mandato.

O tema elevou a pressão norte-americana sobre aliados europeus e ampliou as discussões sobre segurança energética, um setor impactado, em grande medida, pela guerra iniciada por EUA e Israel contra o Irã.

Diante do cenário, Comissão Europeia, Alemanha, França, Itália, Irlanda e Reino Unido realizaram uma teleconferência para discutir a possível liberação de reservas de diesel. No entanto, autoridades dos EUA acreditam que alguns países europeus não cumpriram integralmente compromissos anteriores de utilização de estoques emergenciais.

Segundo uma fonte europeia, Washington solicitou que a União Europeia (UE) disponibilize cerca de 120 milhões de barris de diesel ao longo dos próximos seis meses para ampliar a oferta global e aliviar os preços pagos pelos consumidores, um número que reflete no custo de vida, impacta diretamente a inflação e pode prejudicar o desempenho republicano em novembro.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, atribuiu parte da pressão sobre o mercado às interrupções nas exportações de diesel provenientes do Oriente Médio e da China. Segundo ele, a combinação de diferentes rupturas na cadeia de suprimento afetou a disponibilidade global do combustível.

Embora Alemanha e França tenham evitado comentar publicamente o tema, segundo a apuração o governo francês informou que a questão não foi discutida entre Emmanuel Macron e Trump durante encontro realizado à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Ainda assim, Macron pretende reunir líderes do G7 (grupo composto por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) por videoconferência para debater a alta dos preços dos combustíveis, a oferta global de produtos refinados e possíveis ações coordenadas de liberação de reservas em conjunto com a Agência Internacional de Energia (AIE).

A preocupação europeia, no entanto, é agravada pela crescente dependência de combustíveis dos Estados Unidos especialmente após o bloqueio unilateral e deliberado às importações russas em função do conflito ucraniano.