Empresas brasileiras enfrentam queda nas exportações para os EUA após tarifas de Trump
Queda de até 60% nas vendas acelera busca por novos mercados por parte das companhias nacionais.
Empresas brasileiras já registram queda de até 60% nas vendas aos EUA após o tarifaço de Donald Trump, enquanto outras perderam totalmente o mercado norte-americano. Especialistas defendem a busca por novos destinos de exportação, mas alertam que substituir o peso da maior economia do mundo será um desafio de longo prazo.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos já provocam impactos diretos nas empresas brasileiras, especialmente nas pequenas e médias. De acordo com a mídia brasileira, há relatos de queda de até 60% nas vendas e, em alguns casos, interrupção completa dos negócios com o mercado norte-americano, expondo a vulnerabilidade de companhias fortemente dependentes desse destino.
Falando à apuração, o diretor-geral da Engemasa, João Baroni, afirmou que os Estados Unidos, em 2025, respondiam por 40% do faturamento da empresa que atua na fabricação de peças fundidas e componentes metalúrgicos para o setor de óleo e gás, mas passaram a representar zero em 2026. Além dos custos adicionais gerados pelas tarifas, a falta de previsibilidade nas compras tem afastado clientes e comprometido um mercado construído ao longo de décadas.
A Utilinox, que atua na venda e fabricação de máquinas e equipamentos para uso industrial, também registrou perdas expressivas que chegam a uma retração de 60% nas vendas para os EUA desde a adoção das tarifas de 50% sobre aço e alumínio previstas na Seção 232.
Especialistas consultados pela mídia defendem que a conjuntura pode estimular uma reorganização das exportações brasileiras e abrir oportunidades em outros mercados, mas que, ainda assim, a adaptação exige tempo, principalmente para pequenas e médias empresas, que dispõem de menos recursos financeiros e menor presença internacional para reorientar suas operações.
Entretanto, a diversificação já começou a ganhar força, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Cerca de 72% das 2,4 mil empresas atendidas pela agência que exportam para os Estados Unidos passaram a atuar em pelo menos um mercado adicional, onde a América Latina surge como caminho natural pelo histórico de relações comerciais e pela proximidade geográfica entre os países.
Mas, para além dos países vizinhos, mercados como Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Cingapura, Índia e China aparecem entre os destinos considerados promissores, fazendo com que empresas brasileiras já busquem ampliar fornecedores e linhas de produção voltadas à Ásia. Ao mesmo tempo, enquanto exportações para a China cresceram 15% entre janeiro e agosto, o mesmo ritmo foi observado para a União Europeia (UE), evidenciando a diversificação.
Apesar desses movimentos, empresários e analistas ressaltam que abrir novos mercados não resolve sozinho um problema estrutural que é a perda de competitividade da indústria brasileira.
A participação da indústria de transformação no produto interno bruto (PIB) do país caiu de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025, enquanto o Brasil perdeu posições no ranking global de complexidade econômica.
Para especialistas, o principal desafio é fortalecer a capacidade produtiva nacional por meio de inovação, investimento e aumento da competitividade, uma vez que uma indústria mais robusta teria melhores condições de disputar mercados internacionais, exportar produtos de maior valor agregado e reduzir a dependência de poucos compradores.
Substituir os Estados Unidos, porém, está longe de ser simples, já que o tamanho da economia norte-americana, seu poder de consumo e o papel nas cadeias globais de produção dificultam a realocação rápida das exportações.
Resta saber, contudo, se o grupo de trabalho criado por Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá produzir avanços concretos nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.