Paquistão é acusado de atacar civis no Afeganistão
Governo afegão relata mortes em bombardeios aéreos; Islamabad nega e fala em ação contra terroristas.
O Paquistão realizou ataques aéreos durante a madrugada em duas províncias do Afeganistão, informaram os dois países nesta quinta-feira, 1. Segundo o governo Talibã, os bombardeios atingiram casas civis, mataram nove mulheres e crianças e feriram outros 11 civis. Já Islamabad afirmou ter atingido apenas esconderijos de militantes e disse que "relatos iniciais sugerem" a morte de 22 combatentes.
As alegações de vítimas de ambos os lados não puderam ser verificadas de forma independente.
De acordo com o porta-voz do governo Talibã, Zabihullah Mujahid, os ataques ocorreram na província de Helmand, no sul, e em Kunar, no leste, destruindo três casas. "Condenamos este ato e o consideramos um ato de agressão e um crime que viola todos os princípios universalmente aceitos", declarou.
O Ministério da Informação do Paquistão disse que as operações foram "bem planejadas e calibradas", conduzidas com "precisão e exatidão" contra esconderijos e acampamentos de militantes. Afirmou ainda que grandes quantidades de armas e munições foram encontradas nos locais e destruídas.
Os ataques ocorrem em meio a choques recorrentes na fronteira e após o Paquistão intensificar bombardeios em território afegão desde que as tensões entre os vizinhos aumentaram de forma acentuada neste ano. A Missão da ONU no Afeganistão afirmou na semana passada ter documentado mais de 1.100 mortes e ferimentos de civis no país decorrentes de violência transfronteiriça em 2026.
Islamabad acusa o governo Talibã de permitir que militantes - especialmente o Talibã Paquistanês (Tehrik-e-Taliban Pakistan, TTP) - operem a partir do Afeganistão e realizem ataques dentro do Paquistão. O TTP é separado, mas aliado do Talibã afegão, que governa desde 2021. Cabul nega oferecer refúgio ao grupo e rejeita as acusações.
"O perigo ao Paquistão emana do Afeganistão", disse o ministério paquistanês, afirmando que suas ações miraram "centros terroristas" e que foram tomadas "precauções máximas" para evitar danos colaterais. O comunicado acrescentou que a campanha seguirá "em ritmo total" para eliminar a ameaça de militantes. Fonte: Associated Press.