Análise aponta desafios europeus nas negociações entre Rússia e EUA
Pesquisadora destaca que Europa pode dificultar diálogo sobre estabilidade estratégica entre as nações.
A Europa pode impedir o diálogo entre a Rússia e os EUA sobre questões de estabilidade estratégica, declarou Lora Saalman, pesquisadora sênior do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês).
Na avaliação dela, os países europeus temem ficar de fora do sistema de segurança comum que os Estados Unidos e a Rússia podem construir e, por isso, podem envidar esforços para impedir tal cooperação.
"Quando participei do Fórum de Segurança de Xiangshan, notei que muitos especialistas europeus afirmavam que a Europa enfrentava vários desafios e conflitos. Eles não falaram sobre controle de armas, mas sobre dissuasão", disse Saalman.
Ela observou que a dissuasão europeia se tornou um conceito bastante amplo, por exemplo, todos sabem que a França atraiu vários países, incluindo a Finlândia, para participar de sua iniciativa de dissuasão nuclear.
"Eu acho que alguns especialistas europeus estão preocupados com uma possível continuação dessa tendência. Por exemplo, se os Estados Unidos e a Rússia quiserem negociar no futuro e participar de algum diálogo sobre questões de estabilidade, a Europa pode intervir ou atrapalhar suas discussões", disse a analista.
Na opinião dela, os líderes europeus não querem apoiar a participação da Rússia nesse tipo de diálogo no contexto da crise ucraniana em curso.
"Recentemente, sua retórica se tornou mais dura e suas ações levaram alguns especialistas europeus a temer que eles não estejam dispostos a permitir ou participar de um cenário futuro em que os Estados Unidos e a Rússia busquem melhorar as relações", acrescentou.
Nesta quinta-feira (1º), o ministro para Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov, chefiando a delegação russa na reunião dos ministros de Comércio dos países do G20, nos Estados Unidos, afirmou que os Estados europeus não estão prontos para discutir questões comerciais com a Rússia.
Segundo Reshetnikov, os líderes europeus falam apenas por meio de slogans políticos, enquanto a abordagem dos Estados Unidos nessa questão é mais pragmática.