POLÍTICA

Eliane Ferreira critica Senado e STF em campanha ao Senado paulista

Candidata do PSTU enfatiza necessidade de mudanças em pautas que afetam principais grupos vulneráveis.

Por Sputnik Brasil Publicado em 30/09/2026 às 16:25
Eliane Ferreira critica Legislativo e STF em sua candidatura ao Senado por São Paulo. © Sputnik / Sputnik Brasil / Guilherme Correia

Candidata ao Senado por São Paulo, a advogada trabalhista Eliane Ferreira (PSTU-SP), em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil, afirmou que a pauta prioritária de sua campanha é o fim da escala 6x1, cuja sobrecarga atinge sobretudo mulheres e jovens.

Esta é a segunda vez que a candidata concorre à vaga ao Senado. Segundo ela, a luta deve ser "permanente" e feita em conjunto de sindicatos e movimentos populares que demandam uma "senadora mulher". Ainda assim, não basta ser mulher para representar as mulheres do país:

"Precisamos ter um programa que esteja a serviço das mulheres", define.

Sobre as candidatas ao mesmo cargo, Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), afirmou que ambas "têm interesses próprios", citando ligações com bancos, financiamento de campanha e agronegócio.

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com todos os candidatos ao Senado pelo estado paulista e realiza, nesta reta final de campanha antes do primeiro turno, uma série de publicações com cada um dos postulantes às duas vagas em jogo nesta eleição.

Ferreira criticou ainda a existência da câmara alta. Em sua opinião, o bicameralismo presta um "desserviço" à sociedade por, no Senado, ter dois representantes por estado, independentemente da população.

"O Senado Federal virou um balcão de negócios, onde pautas secretíssimas, emendas que nós não conhecemos, desviam bilhões dos cofres públicos e nós não sabemos para onde vai esse dinheiro."

Ao defender a proposta de acabar com a Casa e direcionar a verba ao Congresso, com "conselhos populares" definindo as leis, a candidata disse não acreditar que o parlamento, sozinho, resolva os problemas do país e que a mudança virá da organização da classe trabalhadora nos bairros e nas comunidades.

Principais propostas

Eliane também defende o reconhecimento da Lei 15.326, do movimento Somos Todas Professoras, que ela representa. A norma enquadraria como professoras as profissionais da primeira infância que atuam em creches municipais, com valorização na carreira, piso inicial de R$ 5.160 e um terço da jornada para formação.

Segundo ela, a pauta atinge 800 mil mulheres. A candidata apoia ainda o PL 2531, que garantiria a trabalhadores não docentes, como merendeiras, porteiros e funcionários administrativos, 70% do piso nacional do magistério.

Sobre o tema do feminicídio, a candidata afirmou que quatro mulheres morrem por dia no país e que a Lei Maria da Penha não atende mais às necessidades, com medidas protetivas que ficam "engavetadas".

"Estamos em 2026, mas temos um resquício do patriarcado. Hoje o feminicídio está sendo realizado com requintes de crueldade. Estão arrancando as nossas pernas, os nossos braços e, quando não podem nos matar, estão matando nossos filhos."

Ela propôs casas-abrigo sem endereço divulgado, afastamento do trabalho com emprego garantido, acompanhamento psicológico, social e médico e amparo aos filhos. Também defende educação e prevenção nas escolas e diálogo com os homens, afirmando que "não queremos os homens presos".

A advogada defendeu ainda a mudança da composição e a forma de indicação do Supremo Tribunal Federal (STF), de maneira democrática, com participação dos trabalhadores. Ao acusar o tribunal de ter jogado "no lixo" ações como a revisão da vida toda do INSS, a do FGTS e a da poupança, comentou que o poder tornou-se um "balcão" de troca de acusações, com o agravante de que há comprovações de que integrantes são coniventes com o caso do Banco Master na tentativa de abafamento.

"Está a serviço de quem, o Supremo Tribunal Federal? É da classe trabalhadora ou dos interesses dos bilionários?"

Sobre impeachment de ministros, disse que a decisão cabe ao órgão competente e que, isoladamente, não resolve, porque outros afastados voltaram ao cenário.

Outros temas

Ela mencionou ainda que a cláusula de barreira, dispositivo eleitoral que impede partidos que não tenham conseguido um mínimo de votos de ocupar uma cadeira, é uma tentativa de "invisibilizar" partidos pequenos e representa uma "democracia dos ricos", com mais tempo de TV e financiamento a quem já está no poder.

Sobre o fim da contribuição sindical obrigatória, em 2017, afirmou que o PSTU não foi afetado, por defender autonomia e autofinanciamento, mas que sindicatos dependentes dela fecharam ou venderam sedes.

Eliane compõe a chapa com Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que encampou greve de mais de mil dias que ajudou a reintegrar mais de 500 trabalhadores da Avibras.