ECONOMIA

Queda de 5,2% nos investimentos em máquinas é registrada em agosto

Abimaq aponta recuo das aquisições comparado ao mesmo mês do ano anterior.

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/09/2026 às 14:38
Queda de 5,2% nos investimentos em máquinas é registrada em agosto

Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil recuaram 5,2% em agosto frente ao mesmo mês de 2025, somando R$ 33,15 bilhões, segundo dados da Abimaq, entidade que representa a indústria de bens de capital mecânicos. Na margem - na comparação de agosto com julho -, os investimentos caíram 4,2%, reforçando a leitura de que a demanda doméstica por bens de capital segue deprimida.

Os números refletem a combinação de queda na demanda por equipamentos produzidos localmente e avanço das compras externas. No acumulado de janeiro a agosto, a aquisição de máquinas e equipamentos (medida pelo consumo aparente) registra retração de 11,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Pelo lado da indústria, a receita líquida total de vendas do setor foi de R$ 22,93 bilhões em agosto, com recuo de 6,2% ante julho e queda de 15,5% em relação a agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, a receita líquida total soma R$ 177,6 bilhões, o que representa baixa de 13,2% ante igual intervalo do ano passado. A receita interna atingiu R$ 16,84 bilhões em agosto, com queda de 9,7% na comparação mensal e retração de 16,4% na comparação interanual; no ano até agosto, a receita interna acumula baixa de 15,5%.

"O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro, inibindo novos projetos de investimento industrial", disse a Abimaq em nota.

No comércio exterior, as exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 1,18 bilhão em agosto, alta de 4,6% sobre julho, mas com queda de 6,3% ante agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas crescem 6,2%, para US$ 8,81 bilhões. Já as importações totalizaram US$ 2,98 bilhões no mês (+1,1% ante julho e +16,7% em um ano) e atingiram US$ 22,20 bilhões no acumulado do ano (+5,2%). O setor acumula déficit comercial de US$ 13,39 bilhões entre janeiro e agosto.

A entidade destaca ainda o avanço estrutural das importações na composição do mercado doméstico.

No acumulado de janeiro a agosto, as máquinas importadas responderam por 47,6% do consumo aparente no País (45,3% um ano antes). A China ampliou a liderança como principal fornecedora: as compras do país somaram US$ 8,0 bilhões no ano até agosto, alta de 18,8%, com 36,0% de participação no total importado. Na sequência, aparecem os Estados Unidos (US$ 3,24 bilhões; -2,7%) e a Alemanha (US$ 2,57 bilhões; +1,0%).

O balanço mostra também ajustes no mercado de trabalho. O setor encerrou agosto com 403.294 pessoas ocupadas, recuo de 2,6% frente a julho e queda de 5,6% na comparação com agosto de 2025 - o equivalente ao fechamento de cerca de 24 mil postos em 12 meses, segundo a Abimaq.

Na utilização da capacidade, o NUCI ficou em 79,6% em agosto, acima dos 79,0% de um ano antes (e acima de julho, quando estava em 78,9%). A carteira de pedidos subiu para 10,1 semanas de atendimento em agosto (ante 9,6 semanas em julho).