Astrônomos descobrem superterra de lava a 154 anos-luz com atmosfera peculiar
HD 3167 b desafia modelos científicos ao manter temperaturas mais baixas do que o esperado.
Astrônomos identificaram uma superterra a 154 anos-luz da Terra que desafia modelos científicos por ser um mundo de lava que orbita sua estrela em apenas um dia, porém com atmosfera capaz de reduzir sua temperatura, tornando-se o mais frio da categoria já observado.
Astrônomos identificaram o HD 3167 b, uma superterra rochosa localizada a 154 anos-luz da Terra que desafia as expectativas dos cientistas. Embora seja classificado como um mundo de lava, o planeta apresenta temperaturas mais baixas do que o esperado e mantém uma atmosfera, algo raro para corpos tão próximos de suas estrelas.
Para além disso, o planeta completa uma órbita em apenas um dia terrestre e está tão próximo de sua estrela que deveria sofrer intensa radiação e ação dos ventos estelares. Ainda assim, ele conseguiu preservar uma atmosfera, reforçando evidências de que muitos mundos de lava podem manter envoltórios gasosos mesmo em condições extremas.

De acordo com o estudo que descreve a descoberta, o exoplaneta se destaca em um Universo cada vez mais diverso. Desde a confirmação do primeiro planeta fora do Sistema Solar, há mais de três décadas, os cientistas já catalogaram mais de 6.300 mundos, incluindo gigantes gasosos, planetas semelhantes a Netuno e corpos rochosos cobertos por oceanos de lava.
Para investigar o HD 3167 b, a equipe utilizou o instrumento MIRI, do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês), e realizou as observações durante o chamado eclipse secundário, quando o planeta passa atrás de sua estrela, permitindo medir variações na radiação infravermelha e estimar suas temperaturas.
Como outros mundos de lava, o planeta apresenta acoplamento de maré, o que significa que ele sempre mantém a mesma face voltada para a estrela. Sem atmosfera, o lado diurno deveria atingir temperaturas próximas ao limite teórico para sua órbita. No entanto, os dados revelaram um planeta significativamente mais frio do que os modelos previam.
Os pesquisadores concluíram que a atmosfera provavelmente reflete parte da luz estelar e redistribui calor para o lado noturno, reduzindo a temperatura da face iluminada. Com isso, o HD 3167 b se tornou o mundo de lava mais frio com atmosfera já observado, levantando novas questões sobre como esses ambientes formam e preservam suas camadas gasosas.
A descoberta integra um programa que analisa dez mundos de lava para entender em quais faixas de temperatura esses planetas desenvolvem atmosferas para ajudar a reconstruir as condições da Terra primitiva, além de ampliar o conhecimento sobre a evolução de planetas rochosos no Universo.