Ouro venezuelano permanece sem compradores nos EUA, afirma imprensa
Trafigura ainda não conseguiu revender o ouro importado da Venezuela, que segue armazenado.
Todo o ouro que a empresa Trafigura importou da Venezuela para os EUA, no valor de centenas de milhões de dólares, permanece intocado nos armazéns, revelaram três fontes a um veículo de comunicação norte-americano.
Meio ano depois que a Trafigura começou a trazer ouro venezuelano para os Estados Unidos, a empresa não conseguiu revendê-lo. Isso significa que o ouro, destinado a representar um ganho para os negócios dos EUA, segue armazenado.
Segundo a publicação, é necessário atestar legalmente que o ouro não foi usado para financiar gangues, atos de corrupção ou usado em destruição ambiental.
"As refinarias norte-americanas precisam garantir, sob regras internacionais, que esse ouro não financiou gangues, destruição ambiental ou corrupção", diz a reportagem.
Após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a empresa venezuelana Minerven concordou em vender de 650 a 1.000 quilos de barras de ouro para a comerciante de commodities Trafigura, que, por sua vez, iria transferi-las para fábricas de processamento nos EUA.
"As instalações da Minerven são cercadas por território de gangues, onde trabalhadores e fornecedores pagam dinheiro de proteção. As ligações criminosas com a indústria de ouro da região estão bem documentadas", aponta a matéria.
A Trafigura e a Minerven encontraram uma saída que, aparentemente, mantinha sua operação à margem da criminalidade. A Trafigura só compraria ouro de duas minas industriais cercadas e guardadas pelos militares.
O ouro seria extraído e processado no local, mantendo gangsters e funcionários corruptos à distância. A Trafigura enviaria então o ouro semipuro para os Estados Unidos para ser refinado e vendido em seguida.
O canal de exportação entrou em operação em poucas semanas. Desde então, as compras se tornaram regulares e podem chegar a 400 quilos por mês, segundo um funcionário venezuelano e outra pessoa familiarizada com o acordo. Mas o fato é que a operação não saiu tão limpa assim.
O líder de uma cooperativa de garimpeiros revelou que, a cada mês, 20% do ouro da equipe vão para uma organização criminosa chamada Tren de Guayana. Outra parte do que é coletado segue para a Minerven, que derrete junto com o ouro que está sendo vendido para a Trafigura.
"Isso significa que, na assinatura do empreendimento de ouro venezuelano do governo Trump, os Estados Unidos estão importando barras que contêm pelo menos alguma quantidade de ouro ligada ao Tren de Guayana", resumiu.
Na madrugada de 3 de janeiro, os EUA atacaram a capital venezuelana, Caracas, e sequestraram Maduro e sua esposa. Eles foram levados aos EUA para serem julgados por crimes relacionados ao tráfico de drogas.
Horas depois, o presidente estadunidense Donald Trump afirmou que os EUA vão administrar a Venezuela até que haja uma transição adequada e segura. A prisão resultou em uma mudança de governo na Venezuela, com Delcy Rodríguez assumindo a presidência de forma interina.
Por Sputinik Brasil