Lula sugere que ministros do STF sejam escolhidos por conselho para inclusão da sociedade
Presidente critica critérios de seleção atuais e defende reformas no sistema partidário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu em entrevista neste domingo (27) que as indicações para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam feitas por um conselho para que a sociedade civil participe do processo.
Em entrevista gravada para a TV Bandeirantes no Palácio da Alvorada, ele comentou sobre a necessidade de alterar o critério de indicação, visando aumentar a coerência e a responsabilidade dos magistrados da Suprema Corte.
"Quero mudar o critério de escolha, porque o critério de escolha é muito vulnerável. Acho que temos que criar um critério para envolver a sociedade civil para que a gente indicar alguém que não seja da vontade do presidente", disse ele. "Tem que ser alguém que passe por um crivo de um colegiado que a gente vai ter que pensar como criar para aquela pessoa não seja um cara indicado pelo presidente", opinou.
Ele também criticou a postura de ministros após assumirem o cargo:
"Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota toga. E quando o cara coloca a toga, ele vira Deus [...] Um ministro não pode querer ficar rico, é incompatível a função de quem recebe R$ 43 mil e ficar rico, não é compatível. Da mesma forma que o deputado. Nenhum salário de deputado, de governador, de presidente, pode deixar alguém rico", afirmou.
Fim do fundo eleitoral
Na mesma entrevista, o presidente brasileiro também defendeu o fim do fundo eleitoral. Ao admitir que apoiou a criação dos fundos partidário e eleitoral, disse que o fundo como está posto "apodreceu" a política.
"Hoje eu sou contra. Eu sou contra, porque isso apodreceu a política. Mais o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política. Na hora de votar, o deputado pensa nele primeiro, pensa no mundo dele. E nós precisamos criar as condições de pensar um pouco nesse país, dar chance às pessoas que querem novas entrar na política, criar um partido que tem um programa para a gente saber o que aquele partido pensa. Hoje são interesses corporativos."
Lula ressaltou a urgência de uma ampla reforma nas regras do sistema partidário:
"Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União. Não é possível. Então, tudo isso vai ter que mudar. Se eu não fizer, ninguém faz. A gente vai acabar com a polarização quando os partidos representarem, de fato, os lados da sociedade. Eles têm que representar uma parte do povo. É assim que se cria partido político," argumentou ele.
Trump: 'o problema é quem trabalha com ele'
A relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi tema na entrevista. O mandatário brasileiro disse que sempre teve boas conversas com seu homólogo estadunidense, mas que ele está mal assessorado.
"O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim", criticou. "Eu digo para ele que o Marco Rubio [secretário de Estado] não gosta do Brasil, não gosta da América Latina, ou seja, ele é um anti-latino-americano. Mas as conversas que eu tive com o Trump foram todas boas".
Sobre os tarifaços impostos pelos EUA, ele minimizou os impactos das medidas nas importações brasileiras ao salientar a diversificação do mercado para outros países:
"Sabe o que aconteceu com a queda das nossas importações para os Estados Unidos? Nós caímos, sabe, 9,2% das nossas exportações. Sabe quanto aumentou para a China? 19%. Para a Indonésia, 15%. Para a Alemanha, 15%. Para o Vietnã, 13%. Para 57 países, a gente cresceu, em média, 10,5%. O nosso superávit saiu de 50 para 80 bilhões de dólares. Melhorou a exportação. Eu vou ficar chorando? Eu vou procurar outro parceiro", concluiu.