POLÍTICA

Definição da eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro pode ocorrer nesta semana

Indecisão no eleitorado e medidas do governo são apontadas como fatores decisivos na reta final da campanha.

Por Sputnik Brasil Publicado em 27/09/2026 às 10:57
Lula e Flávio Bolsonaro chegam à última semana de campanha em um cenário de indecisão eleitoral. © Foto / Tânia Rêgo / Agência Brasil

Apesar de Lula e Flávio Bolsonaro chegarem à última semana de campanha nos mesmos patamares de intenção de voto de abril, a disputa segue aberta entre eleitores ainda indecisos ou dispostos a mudar de escolha, porém medidas do governo e o debate da Globo podem ser decisivos.

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cheguem à última semana de campanha com os mesmos patamares de intenção de voto registrados em abril, a aparente estabilidade esconde uma dinâmica relevante.

De acordo com a análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes, divulgada por um jornal de grande circulação no país, ao longo dos últimos meses, houve migrações de eleitores entre candidatos, indecisos e votos nulos, de modo que a manutenção dos números agregados não significa ausência de mudanças no comportamento eleitoral.

Nunes sugere que o movimento ocorre sobretudo entre os eleitores que não estão vinculados aos dois principais polos da disputa. Esse grupo, estimado em cerca de 10% do eleitorado, concentra o potencial de definição do resultado final.

Para o diretor do instituto, a estabilidade observada nas pesquisas reflete um equilíbrio temporário entre fluxos opostos de eleitores, e não um cenário de completa cristalização do voto, ou seja, as chances do pleito não se definir no primeiro turno são grandes.

Na pesquisa espontânea, cerca de um terço dos eleitores ainda não sabe em quem votar para presidente, enquanto na estimulada esse percentual é menor, mas varia significativamente entre as regiões do país. A indecisão é mais baixa no Nordeste, onde Lula mantém ampla vantagem, e mais elevada no Sudeste e no Sul, com destaque para o Sudeste, considerado o principal campo de batalha da eleição, onde a família Bolsonaro tradicionalmente obtém bons resultados.

Nunes argumenta que mesmo percentuais aparentemente modestos podem ser decisivos em uma disputa equilibrada. Os chamados "decididos indecisos", que afirmam poder rever sua escolha, representam mais de 10 milhões de eleitores. Já aqueles que dizem que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) pode influenciar seu voto somam cerca de 14 milhões, contingentes suficientes para alterar o desfecho de uma eleição apertada, como a que se apresenta.

Na reta final, três fatores são apontados pelo diretor da Quaest como capazes de influenciar esse eleitorado. O primeiro é o pacote do governo direcionado às mulheres, com medidas relacionadas às Bets, ao acesso a canetas emagrecedoras e ao aumento do Bolsa Família. A estratégia busca dialogar com um segmento onde se concentra parte importante dos eleitores ainda sem candidato definido, e seus efeitos devem começar a aparecer nas pesquisas mais recentes. Os outros dois elementos são o avanço do voto útil e o tradicional debate da TV Globo.

Cabe ressaltar que parte dos eleitores de candidatos menores pode migrar para Lula ou Flávio Bolsonaro para evitar a vitória do adversário mais rejeitado, movimento que já apresenta sinais nas pesquisas. Entretanto, o debate em horário nobre é visto como uma oportunidade de mobilizar eleitores menos engajados e de promover o primeiro confronto direto entre os dois líderes da disputa.

Ao que tudo indica, esta eleição será definida pelo grupo de eleitores indecisos, em um cenário de forte rejeição e intenso movimento nas redes sociais, onde a disputa permanece acirrada.