POLÍTICA

Candidato defende o fim do Senado em proposta de campanha

Petter Maahs, do PCB, busca a unificação do legislativo e critica a estrutura atual

Por Sputnik Brasil Publicado em 25/09/2026 às 23:09
Petter Maahs, candidato ao Senado, propõe o fim da instituição na campanha eleitoral. © Sputnik / Guilherme Correia

O candidato a senador por São Paulo, Petter Maahs (PCB), foi entrevistado pela Sputnik Brasil nesta sexta-feira (25) e comentou que uma das principais propostas, se eleito, será buscar o fim do próprio Senado Federal.

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com todos os candidatos ao Senado pelo estado paulista e começa, a partir de hoje, uma série de publicações com cada um dos postulantes às duas vagas em jogo nesta eleição.

"Tem uma proposta que é histórica do Partido Comunista Brasileiro, de que o Poder Legislativo seja unicameral, ou seja, que não exista o Senado", disse ele ao defender que os senadores têm representado um obstáculo à democracia:

"O Senado é uma herança do Império Romano que na fundação do Estado moderno, ele acabou sendo mantido porque interessava as elites. Como James Madison, que é o fundador do Estado americano, defendia abertamente, que [o Senado] era para conter as paixões populares. O Senado tem servido de represamento da vontade popular, ou seja, se uma decisão de interesse dos trabalhadores passa pela Câmara baixa, ainda assim tem uma chance de barrar essa medida no Senado."

Funcionário público municipal em Cubatão (SP) há anos, onde atua como diretor de escola na rede pública, Petter entende que "não conseguiria mudar" a realidade "só com a minha sala de aula", o que motivou a se organizar politicamente.

A escolha pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), segundo ele, vem da leitura de que o partido foi "o maior operador político do século XX", mas sofreu sucessivos golpes: perseguição no Estado Novo, quase eliminação após o golpe de 1964, e tentativa de extinção em 1992 quando Roberto Freire buscou acabar com a legenda. "A trajetória do Partido Comunista Brasileiro me atraiu pela leitura e pelo estudo da realidade brasileira", explicou. Ele citou a instituição do Sistema Único de Saúde (SUS), com Sérgio Arouca, e a resistência à ditadura através de Carlos Marighella e Carlos Prestes, como uma das contribuições do partido.

Neoliberalismo como raiz do problema

Para Maahs, o "PT abandonou uma estratégia socialista e aderiu ao receituário neoliberal", disse, conectando isso a um diagnóstico maior:

"A raiz do problema brasileiro, da nossa sociedade, da nossa economia, é a adesão ao projeto neoliberal, que desindustrializou o país, que aumentou a desigualdade e que jogou toda a economia na mão do cassino da especulação financeira."

Em um eventual segundo turno entre o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ele defendeu que os militantes comunistas devem apoiar o petista. A saída, para ele e o PCB, passa por "reindustrializar o país sob o controle popular".

"Os países que têm adotado o receituário que a gente defende têm avançado tanto em termos econômicos como em termos sociais. Ao exemplo disso é a China, o Vietnã, a própria Coreia do Norte, Cuba."

Ele mencionou um retrocesso na Venezuela, após "intervenção forte dos Estados Unidos". Questionado sobre por que existem tantos partidos comunistas — PSTU, UP, PCB e outros — Maahs respondeu:

"A fragmentação que tem no campo da esquerda é uma fragmentação que é reflexo da fragmentação da classe trabalhadora", disse ele ao datar esse fenômeno a partir da década de 1980, com o neoliberalismo "pesadamente" na sociedade.

Além disso, ele comentou que, mesmo com divergências teóricas com outras linhas de esquerda, é possível se unir por causas em comum:

"O veneno neoliberal do individualismo — que minou a base da solidariedade entre os trabalhadores, do sentimento de comunhão, de comunidade."

Segurança pública

Maahs criticou o candidato ao Senado, Guilherme Derrite, por usar "espetacularização da violência para poder angariar votos".

Ele lembrou de Ryan, menino de 4 anos que morreu em ação da Polícia Militar no Morro São Bento durante a "Operação Escudo". Seu pai já havia sido assassinado pela polícia anteriormente.

"A Polícia Militar do Estado de São Paulo é uma polícia despreparada, mal paga", afirmou. "É uma polícia que mata muito, mas também morre muito. É uma polícia que tem muitos problemas de saúde mental e a corporação não dá conta disso. A gente vê infiltração do crime organizado dentro da instituição policial."