Trump e Delcy discutem reestruturação da dívida da Venezuela, diz Rubio
Reunião entre os presidentes ocorreu durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira, 23, que a reestruturação da dívida venezuelana foi um dos temas chave da primeira reunião entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Venezuela, Delcy Rodríguez.
"Ainda há muito a arrumar para que a Venezuela tenha sucesso. Falamos sobre os passos que faltam para que isso aconteça. A reestruturação da dívida é chave para ele", disse Rubio a jornalistas.
"Queremos ser úteis nesse sentido. Tem que ser feita da maneira correta", acrescentou.
O nível da dívida soberana da Venezuela é objeto de debate. O país sul-americano rompeu relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2019 e só as retomou recentemente, de modo que os dados macroeconômicos aceitos por instituições internacionais são provisórios. Segundo a organização Transparência Venezuela, a dívida girava em torno de US$ 164 bilhões no fim de 2024.
A reunião entre os presidentes foi a primeira desde que Delcy assumiu o poder após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
Trump a convidou para uma conversa à parte durante uma recepção oficial a todos os líderes que participam da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em um hotel em Nova York.
"Foi uma reunião curta, mas importante", disse Rubio, acrescentando que o encontro foi focado na recuperação econômica e nos passos para concretizar a transição política.
Em uma publicação no Telegram, acompanhada de uma foto, Delcy classificou a reunião como "histórica".
Rubio também comentou sobre a guerra no Irã, prestes a completar sete meses. Segundo ele, a conversa entre Washington e Teerã à margem da Assembleia-Geral da ONU foi "uma continuação de conversas que ocorreram no passado", mas não representou um grande avanço.
"Se houver uma oportunidade de trocar ideias e mensagens, nós o faremos. E foi isso, em grande parte, o que aconteceu ontem. Foi positivo nesse sentido", disse. "Mas, em última análise, não quero caracterizar isso de forma equivocada como um grande avanço."
O secretário afirmou que os EUA não podem simplesmente abandonar a guerra e declarar vitória sobre o Irã. Para ele, o país precisa garantir que Teerã nunca desenvolva uma arma nuclear.
"A ideia de que o maior patrocinador do terrorismo do mundo tenha armas nucleares é simplesmente inaceitável", disse, acrescentando que muitos países-membros da ONU já haviam votado no passado "em apoio a esse princípio".
Rubio afirmou que os esforços de Trump para conter o programa nuclear iraniano não se limitam aos bombardeios do ano passado contra instalações nucleares do país. Segundo ele, Trump está "pensando na próxima geração" e continua aberto a um acordo "que permita ao Irã ser o que deveria ser, um país grande e próspero".
O secretário disse que as perspectivas de um acordo desse tipo são prejudicadas pelas ambições nucleares do Irã e pelo "apoio ao terrorismo" do país. Se essas políticas continuarem, afirmou, Trump poderá recorrer a "uma série de opções", incluindo novas ações militares.
Rubio acrescentou ainda que as Forças Armadas dos EUA estão garantindo a abertura de uma parte do Estreito de Ormuz para navios-tanque comerciais de petróleo, que estão atravessando a via marítima para transportar petróleo para diferentes partes do mundo.
*Com informações de agências internacionais.