SEGURANÇA PÚBLICA

Wellington Lima minimiza pressão externa após adesão de países à iniciativa contra facções

Ministro da Justiça participou de entrega de equipamentos para a segurança nos presídios do Rio de Janeiro.

Por Sputnik Brasil Publicado em 23/09/2026 às 14:51
Ministro Wellington Lima fala sobre segurança e iniciativas contra organizações criminosas em evento no Rio. © Sputnik / Paulo Fonseca

A declaração foi dada durante agenda no Rio de Janeiro, onde o ministro participou da entrega de equipamentos de inteligência e tecnologia para reforçar a segurança dos presídios fluminenses.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou nesta quarta-feira (23) que não há receio de que a adesão de países à iniciativa liderada pelos Estados Unidos para classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas aumente a pressão sobre o Brasil.

"O que nós tivemos há uma semana atrás, meses talvez, foi a mesma conduta adotada, e a normalidade continuou. O que nós tivemos agora foi a adesão de um bloco de países. Não há motivo para ninguém imaginar que o desdobramento seja diferente."

Na terça-feira (22), 14 países aderiram a uma declaração conjunta com os Estados Unidos para adotar medidas coordenadas contra organizações classificadas pelo grupo como "narcoterroristas". Entre os grupos citados estão as duas maiores facções criminosas brasileiras. A iniciativa faz parte do chamado Escudo das Américas, liderado pelo governo de Donald Trump. O Brasil e o México ficaram fora da coalizão.

A declaração conjunta prevê, conforme a legislação de cada país, medidas contra organizações criminosas e pessoas que forneçam apoio material ou logístico aos grupos classificados. A movimentação ocorre em meio à pressão do governo americano para ampliar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

Ministro diz que classificação é questão de 'rótulo'

Durante a agenda no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Wellington afirmou que a diferença entre a classificação adotada pelos Estados Unidos e pelos países que aderiram à iniciativa e a legislação brasileira é, principalmente, uma questão de nomenclatura. Segundo ele, o Brasil já possui instrumentos próprios para combater as facções.

O ministro classificou a Lei Antifacção brasileira como uma ferramenta "muito severa" e afirmou que o foco deve estar na capacidade do Estado de enfrentar o crime organizado, independentemente da classificação utilizada por outros países. "É uma divergência de rótulo. Isso não é o que preocupa a população".

Rio recebe novos equipamentos para reforçar segurança nos presídios

Durante a mesma agenda, o Ministério da Justiça e Segurança Pública entregou ao Rio de Janeiro três kits de varredura, dois scanners corporais, três pórticos e um georradar. Os equipamentos serão utilizados para identificar comunicações ilícitas, dispositivos eletrônicos e possíveis riscos ou alterações estruturais nas unidades prisionais.

Com a nova entrega, o Rio chega a 58 equipamentos repassados pelo governo federal, em um investimento de R$ 5,25 milhões. Até o fim de 2026, a previsão é que o total destinado ao estado chegue a R$ 27,7 milhões.

Segundo o ministro, 13 dos 138 presídios brasileiros selecionados pelo governo federal para receber ações de reforço na segurança estão no Rio. Wellington afirmou que o objetivo é integrar tecnologia, inteligência, capacitação e operações para impedir que presos continuem comandando atividades criminosas de dentro das unidades.

"Não adianta efetuarmos as prisões, se não há a neutralização dessas lideranças."