POLÍTICA

Takaichi aumenta crítica à Coreia do Norte e reafirma apoio ao TPI

Durante discurso na ONU, a primeira-ministra do Japão citou violações da Coreia do Norte às resoluções internacionais.

Por Estadao Conteudo Publicado em 23/09/2026 às 07:15
Sanae Takaichi AP/Eugene Hoshiko, Pool

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, reafirmou o apoio do país ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e elevou o tom contra o avanço dos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, apontando violações de resoluções do Conselho de Segurança e riscos crescentes à paz internacional, durante discurso e posterior entrevista coletiva na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira, 22.

Takaichi afirmou que o Japão mantém "apoio consistente" ao TPI em meio a críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que instou recentemente países-membros a abandonar a Corte. A premiê evitou atacar diretamente Washington, mas relatou que teve uma "troca franca" com Trump sobre o tema durante conversas paralelas à Assembleia Geral, em que trataram também sobre a economia e a segurança de cadeias como a de semicondutores. Sobre a situação no Irã, Takaichi reiterou que é essencial garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.

A premiê japonesa abriu o discurso afirmando que a "ordem internacional livre" enfrenta desafios em múltiplas frentes, defendeu que a ONU "nunca foi tão importante" para promover paz e estabilidade e prometeu que o Japão seguirá cumprindo "responsabilidades significativas" no âmbito da entidade. No campo jurídico, a premiê citou que, desde o pós-guerra, Tóquio prioriza a regra de direito na solução de disputas e disse que isso se traduz no apoio e no envio de juízes a organismos judiciais internacionais, como o TPI.

Takaichi também demonstrou preocupação com o aprofundamento da cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte. A premiê classificou o avanço dos programas nuclear e de mísseis norte-coreanos como "claras violações" de resoluções do Conselho de Segurança e denunciou o uso de atividades cibernéticas maliciosas - incluindo furtos de criptomoedas - como fonte de financiamento. Takaichi ainda cobrou a resolução imediata do tema das abduções atribuídas a Pyongyang e se disse pronta para dialogar e tomar medidas concretas, acusando o país de ser uma "séria ameaça" à segurança global.

A premiê ainda defendeu reformas na ONU, pedindo a remoção das cláusulas de "Estados inimigos" da Carta e a ampliação de assentos permanentes e não permanentes no Conselho de Segurança, argumentando que a composição atual reflete o equilíbrio de 1945.