China defende superávit em meio a críticas ocidentais sobre a economia global
Pequim atribui superávit a demanda real enquanto critica a fraqueza econômica pós-2008.
A China voltou ao centro do debate após novo superávit acima de US$ 100 bilhões, reacendendo críticas ocidentais sobre desequilíbrios globais. Pequim rebate dizendo que suas exportações refletem demanda real por tecnologia e energia limpa, enquanto a fraqueza persistente da economia mundial desde 2008.
A economia chinesa avança rumo a um desenvolvimento de alta qualidade, apesar de um ambiente global mais complexo e de críticas recorrentes de parte da mídia ocidental. Para responder a interpretações consideradas distorcidas, o jornal asiático Global Times lançou uma coluna dedicada a esclarecer percepções sobre o desempenho econômico do país.
A divulgação dos dados comerciais de agosto reacendeu debates sobre o superávit chinês, que ultrapassou US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 511 bilhões) por quatro meses seguidos. Analistas como Michael Froman, presidente do think tank norte-americano Council on Foreign Relations, afirmam que o mundo estaria chegando ao limite para absorver a produção chinesa, sugerindo risco de crise global, argumento que ganhou repercussão em veículos ocidentais.
Segundo o artigo da mídia asiática, a China reconhece que seu superávit é elevado, mas atribui o fenômeno à divisão internacional do trabalho e aos padrões de poupança e consumo de cada país. Pequim sustenta que não busca deliberadamente superávits e que tem ampliado a demanda interna e as importações, para equilibrar possíveis discrepâncias na balança de pagamentos.
Já os déficits persistentes dos EUA e da Europa, segundo economistas chineses, são ignorados nas críticas sobre desequilíbrios globais, argumenta o jornal.
O crescimento das exportações chinesas em setores como circuitos integrados, máquinas e veículos de nova energia reflete, segundo o governo, uma demanda real impulsionada pela transição energética e pela modernização industrial. Para Pequim, esses produtos ampliam a oferta global e não representam excesso de capacidade artificial.
Autoridades chinesas afirmaram que parte das críticas ocidentais politiza o tema ao associá-lo a narrativas como "aperto chinês" e "choque chinês", que colocam Pequim no centro de tensões econômicas supostamente produzidas de forma artificial que tomam espaço de economias menores que do gigante asiático. Como contraponto, citam o papel da China na industrialização de países em desenvolvimento, com exportações de maquinário, infraestrutura e tecnologia que ajudaram economias asiáticas a expandir sua produção têxtil e manufatureira.
Para economistas chineses consultados pela mídia ao longo dos últimos meses, a preocupação atual reflete a demanda global fraca desde a crise de 2008, que reduziu o ritmo do comércio mundial e afetou economias ocidentais com desaceleração, desindustrialização e desequilíbrios internos.
Assim, a mídia conclui que o risco de uma nova crise dependeria menos da China e mais da capacidade das grandes economias de enfrentar transformações industriais, riscos financeiros e pressões protecionistas, alertando que barreiras comerciais que visam "corrigir" superávits costumam aumentar tensões comerciais.